Super mãe: a heroína da casa

Acho que é universal: praticamente toda mãe se acha um pouco heroína. Heroína daquelas de capa e tudo, que quer abraçar e salvar o mundo inteiro.

Assim, somamos tarefas, compromissos e responsabilidades. Além disso, sempre aumentamos o nível das cobranças pessoais ao máximo.

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Não basta ser mãe. Tem que ser a melhor mãe.

Não basta ser dona de casa. Tem que deixar tudo impecável e organizado.

Não basta trabalhar. Tem que ser uma top profissional de sucesso.

Não basta estudar. Tem que tirar as melhoras notas, publicar em revistas e participar de eventos.

Não basta blogar. Tem que postar todos os dias e atualizar mil mídias sociais.

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Acontece que com tantas demandas esquecemos de algo fundamental: somos humanas. Pessoas com limitações (físicas e mentais), que necessitam de tempo para si, de lazer, de diversão. Pessoas que precisam ter espaço para tentar, acertar ou errar. Pessoas que cansam, que se aborrecem, que passam por momentos ruins.

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Na semana passada, como desabafei aqui no blog, cheguei em um ponto limite. Cansada, estressada, frustrada. Uma série de sentimentos que mostraram que eu precisava me organizar, porém, mais do que isso, manter o foco nas minhas prioridades.

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Penso que é normal a gente querer sempre melhorar, crescer, evoluir. Só não podemos deixar que todas as nossas energias sejam sugadas por inúmeros projetos (sejam eles quais forem). É fundamental ter um espaço para respirar (atualmente, isso me falta – e como!).

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Tudo isso também envolve aceitar que não somos perfeitas. Entender que tudo bem se a janta for pizza congelada uma vez ou outra, que ninguém vai morrer se a mesa ficar com pó por alguns dias e que é aceitável fazer um trabalho acadêmico com menos autores do que gostaria, simplesmente porque não deu.

Não se trata de um discurso “culpa não”, pois realmente acredito que a culpa é importante em um processo interno de reflexão e crescimento. É apenas uma questão de flexibilização para lidar com o mais importante em determinado momento. Tem relação direta com as prioridades que definimos, sejam elas específicas ou supremas.

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E por aí, também rola uma síndrome da super mãe? Aqui, estou tentando trabalhar nisso (pra já!).

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6 comments

  1. Ananda, eu to passando por uma mudança muiot grande… Sempre trabalhei e agora vou me dedicar “só” ao meu pequenoe ao meu lar, doce lar, por tempo indeterminado. To meio preocupada comigo, como vou reagir. Acho que depois da 2ª semana vou pirar, querer sair, falar de processos e leis e convênios, enfim. Mas tenho que pôr na minha cabeça que não sou super heroína, meu filho ta precisando de mim. Ainda vou escrever sobre lá no blog. Obrigada por me ajudar com seu texto à redefinir minhas prioridades.
    Grande Beijo!
    Carol
    http://www.umnovotempo.net.br

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    • nandaetges
      Author

      Oi Ana! Que delícia! Aproveita, viu? É difícil, tem dias que a gente pensa que vai pirar hehe. Mas faz parte! Beijos e sucesso!

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  2. Eu vivo de querer ser heroína e de sentar e chorar por não conseguir. Essa semana quem tá estressada e louca sou eu. Vontade de praia, sol, mar e água de coco por uma semana. A realidade é uma casa bagunçada, um menino acordando, duas mil roupas pra passar, uma pessoa cansada, culpada e triste.

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  3. Oi, Ananda. Leio sempre o seu blog e hoje fui ler esse post, que tem muito a ver com algo que escrevi no blog outro dia. Acho que temos muitos ideais que mais nos atrapalham do que ajudam, porque ficam nos pressionando, junto com todo o mundo que já nos pressiona, a seguir um certo caminho, de um determinado jeito. Com a maternidade isso é ainda mais rígido e cruel, porque a gente não se permite nem pensar se queremos mesmo essa perfeição toda, dar conta de tudo, fazer tudo o que, antes, fazia sentido. Acho que o complicado, para nós mulheres, é que às vezes as prioridades e os desejos mudam e fomos preparadas para sermos lindas, em forma, bem sucedidas profissionalmente e financeiramente, autônomas, esportistas, excelentes mães, esposas e afins. Como se nossa felicidade dependesse apenas de ser tudo isso ao mesmo tempo agora. Não sei não, mas me parece um belo de um engôdo, né?

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    • nandaetges
      Author

      Sem dúvida, ótimas colocações! O que podemos fazer é ir trabalhando isso, para conseguir ter mais flexibilidade e menos culpa. Beijos!

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  4. Pingback: Por onde andamos | Projeto de Mãe

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