Terapia de mãe é na pracinha

Tava eu achando que meu filho de 2 anos era a pior criança do mundo. Obviamente, para ele ser assim, eu só podia ser a pior mãe do mundo.

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Acontece que o Vítor fez teste para ator de novela mexicana e foi aprovado com louvor. Ele vive um drama próprio de dimensões catastróficas. Quer água? Choro, lágrimas, bebê jogado no chão chutando tudo. A bola foi para esquerda? Gritos, berros, cabeça na parede. O céu está azul celeste e ele prefere o azul real? Fato digno de escândalo com todas as alternativas anteriores.

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Então, passear com meu pequeno imprevisível está complicado. Ele não quer dar a mão, corre para onde bem entende, chega a ser perigoso. Eu chamo, ele não me escuta, não obedece e dá show. No meio da rua, especialmente se tiver plateia.

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Assim, comecei a ficar com vergonha de sair com ele. Medo também, pelo fato dele não ficar perto de mim e tentar fugir. Mas, principalmente, vergonha. Cheguei a cogitar me enfiar dentro de casa com o Vítor e a Clara. Trocar nossas tardes ao ar livre pela brisa que entra pela janela na segurança e nas limitações do nosso apartamento. Claro que isso representaria estresse também, pois criança precisa de espaço, precisa explorar novos ambientes.

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A minha libertação aconteceu quando comecei a olhar ao meu redor. Na rua, vi mães gritando: “Volta aqui, Fulano”, enquanto a criança corria toda sorridente. Na pracinha, percebi bebês cheios de vontade rolando na areia e ignorando a mãe que implorava comportamento. Também acompanhei pequenos chorando e fazendo escândalo por não terem uma vontade atendida.

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Ou seja, vi milhões de crianças exatamente iguais ao meu filho, fazendo tudo e mais um pouco, assim como ele. Na pracinha, curei minha síndrome de pior mãe do mundo e economizei um bocado em terapia.

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Afinal, são crianças e estão fazendo o que crianças fazem: descobrindo. Mesmo que para os pais isso possa significar caos, estresse, birra, enfrentamento ou qualquer outra coisa do gênero.

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E para as mães que vivem a mesma fase aquele abraço apertado e um consolo no ouvido: eu te entendo, mas vai passar! Oremos!

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9 comments

  1. Kelen Dewes

    Agora vou pedir licença, me ajoelhar e agradecer a Deus!!! A Lívia é muito querida e obediente, sempre saio tranquila com ela. Obrigada Senhor!!! Abraço Ananda!

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  2. Sei que não é regra geral, mas eu me questiono se a diferença também não tem relação com características que diferenciam meninos e meninas. Espero passar menos trabalho com a Clara! Beijos!

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  3. Nossa! pensei que isso só acontecia comigo… penso que a minha Nina é a pior criança do mundo e, por consequência, EU não estou sabendo educá-la, né? será que passa mesmo? tô com medo….

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