Para minhas amigas sem filhos

Carta de coração aberto para minhas amigas sem filhos.

***

Passei o fim de semana pensando em vocês. Em como sinto falta de sentar para uma longa conversa, sem fralda para trocar no meio, sem preocupações além da música que vai tocar a seguir ou se a bebida está gelada.

Eu tenho me sentido em falta com a nossa amizade. Não sei mais quando vocês têm aula, quando estão em casa, qual o melhor horário para ligar. Não sei qual vai ser a festa do fim de semana, se vocês têm alguma viagem programada. Não sei mais nem como vão seus pais e irmãos.

Mesmo assim… eu penso em mandar uma mensagem ou telefonar. Chego a pegar o telefone e ensaiar o que dizer, cheia de expectativa, mas quando olho para o relógio vejo que já é quase meia noite. As crianças estão dormindo, eu não posso falar alto. Ainda tenho que arrumar as bolsas da escola e tomar banho, antes de cair exausta na cama.

É, minha vida não tem sido fácil. Isso não é uma reclamação. Na verdade, ser mãe foi uma escolha e é algo que abraço na totalidade, com o lado bom e o não tão bom assim. De qualquer forma, gostaria que vocês pudessem entender as minhas ausências e, se possível, tentar imaginar as coisas do lado de cá da maternidade.

Acho que a Laura iria rir se soubesse que dias atrás tomei meio copo de cerveja e me senti bêbada. A Camila acharia graça dos cantinhos das caixas de leite que deixo na pia. Insisto em deixá-los ali de propósito, como uma revolta juvenil saudosa pelos pingos de café usados por ela para borrar o chão da cozinha. A Édina lamentaria pelo meu playlist, outrora bem mais eclético, virado em música infantil.  Já a Paula comentaria a minha mania de redobrar os lençóis e as cobertas, coisa que ainda faço (e sempre que faço esboço um sorriso por lembrar dela e da Juliana).

Enfim, só queria que vocês soubessem que penso em vocês mais do que podem imaginar. E que aguardo ansiosa o dia que uma de vocês vim me contar que será mãe. Pois aí sim, aposto que o contato será mais constante, pela simples necessidade de ouvir um: “Eu te entendo (e como entendo)”.

Saudades coloridas em um dia cinza de chuva.

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28 comments

  1. Paula

    Talvez eu possa imaginar o quanto tu pensa em nós, porque eu penso demais em ti sempre! Em tantas vezes que vejo qualquer coisa relacionada a maternidade (tá, essa é óbvia); mas quando escuto Lady Gaga; quando apenas cogito a possibilidade de ir a qualquer festa, especialmente as mais estilo Beco ou com tequila; toda a vez, mas toda mesmo, que eu pego um T7 eu lembro de quantas vezes ele me levou pro Petrópolis; vejo a roda-gigante da Redenção; ou simplesmente quando me acontece qualquer coisa fora do comum, já me imagino contando pra ti! Queria muito que ainda morássemos juntas (ou pelo menos na mesma cidade). Porém, o que importa mesmo é que nunca iremos nos separar. A saudade é uma chata, mas ela deixa cada vez que nos encontramos mais especial e feliz!

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  2. Juliana

    Lindo o texto. E, embora a Paula já tenha dito muito do que também sinto, vou deixar minhas próprias palavras. Espero, de coração, que tu saibas que és uma pessoa difícil de esquecer, como um pequeno furacão que bagunça (da melhor maneira possível) a vida das pessoas quando passa. Tu deixa uma marca forte. E não é porque agora tu vive em outra cidade, mãe de família, que teus amigos pensarão menos em ti. A saudade é grande. Tu esteve presente nos momentos mais significativos da minha vida, e desejo que assim continue. Considero nossa amizade mais forte do que a distância. Essa vida de adulto leva o nosso tempo mesmo. Quando nos damos conta mais um dia se passou e não conseguimos fazer aquela ligação… Tu mencionaste o horário, bom, eu durmo tarde… Aceito mensagens e telefonemas, nem que seja pra falar como o dia foi estressante. 😉 E, confessando, estou louca pra que chegue o dia em que te convidarei pra ir em um pub só pra te contar que estou gravida. (Yep, eu lembro como se fosse hoje) Mas, por enquanto, fico feliz de ouvir as tuas peripécias maternas (e não maternas também).
    Os pensamentos saudosos são diários e as lembranças maravilhosas, contudo, o mais importante é que quando nos vemos as risadas são garantidas, a conversa verdadeira, o companheirismo presente, o carinho palpável, a amizade plena.

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  3. Que texto lindo! Delicado e sincero. Como alguém disse aí em cima, também fiquei com vontade de escrever algo assim para as minhas amigas.
    Que bom que algumas delas leram e escreveram aqui, te retribuindo o carinho. E que bom que a amizade não se perdeu em meio às turbulências da maternidade!
    beijos

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    • nandaetges
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      Verdade, Sarah. Que bom que apesar da rotina diferente e dos N compromissos de cada uma a distância não nos separou. Manda um recadinho para as tuas amigas também! Tenho certeza que elas vão gostar <3 Beijos!

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    • nandaetges
      Author

      Escreve pra elas também, De. Ajuda a matar a saudade e resgatar os laços. Tenho certeza que elas vão ficar felizes de saber que são importantes! Beijos!

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