O arco-íris

Uma sexta-feira qualquer. Estava cansada do trabalho, das pendências da semana. Ansiosa por um banho quente e demorado.

Relógio marca 17:08 e vou embora da agência apressada. O céu e o vento quente anunciam temporal. Quero pegar as crianças na escola logo, para fugir da chuva.

Chego antes dos primeiros pingos. Pego o Vítor e vamos buscar a Clara na outra sala. Quando a pequena nos vê, sorri e pula para os meus braços, como de costume.

O Vítor se distrai e quer brincar na areia. Decide entrar na piscina de bolinhas. “Que oportuno”, penso eu, carregando mil bolsas e, ainda, equilibrando 11 quilos em forma de bebê nos braços.

Nuvens e mais nuvens negras dominam o céu em uma velocidade impressionante. “Vamos, filho”. Não adianta. “Vai chover”. “A vovó está esperando na casa dela”. Nenhum argumento o convencia a ir embora.

Até que caem os primeiros pingos. Grandes, pesados. Daqueles que a gente sente marcar a pele.

O Vítor fica encantado com a chuva. Olha surpreso para tamanha confusão. Folhas voando, pais correndo apressados com os filhos, crianças gritando eufóricas pelo fim de mais um dia.

Então, perplexa com aquele olhar inocente diante da chuva, eu me rendo: “Vamos na chuva, filho?”. E com bolsa, bebê e tudo mais corro com meu menino em direção ao carro. Rindo. Muito. Sem me importar com a roupa molhada, com gripe ou qualquer outra coisa.

O Vítor e a Clara davam gargalhadas, tamanha alegria. Os coloquei nas cadeiras no carro e ficamos por uns 30 segundos sorrindo e tentando situar aquele momento de felicidade.

Felicidade por estarmos juntos. Pela entrega. Pela simplicidade. Por fugir da rotina.

Ligo o carro e olho para o lado. Vejo um arco-íris se formando na moldura cinza. Mostro para os dois, que ficam ainda mais eufóricos.

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Dirijo pensando nas cores da minha vida. Que alegram qualquer dia cinza. Que deixam até um temporal engraçado. Que me fazem sentir abençoada.

Dou um sorriso bobo e olho para trás.

Ali estão. Minhas cores. Meu arco-íris de felicidade.

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22 comments

  1. Que post mais lindo, Ananda!
    É uma delícia correr e brincar na chuva, eu adorava fazer isso de vez em quando na minha infância (e esses dias estava justamente comentando isso, que queria de novo, rs).

    Que bom que vêm os filhos para trazer mais cores pra nossa vida, não é?
    (ainda não tenho, mas vejo que é das melhores coisas da vida!)

    Beijo beijo!

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  2. Nanda, me emocionei com seu texto…. são coisas tão pequenas que nos fazem felizes…. e sabe que eu, mãe do pequeno Felipe e esperando outro bebê (todo o mundo me olha com cara espantada, acho que somos loucos) e vejo que mesmo com dois tão pequeninos é possível aproveitar nossa singela vida e sermos felizes com nossos filhos. Grande beijo

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  3. Ananda, me emocionei com seu texto! Passamos nossos dias em uma rotina tão corrida e estressante que esses pequenos gestos nos dão uma sensação boa de liberdade, mesmo que momentânea. Momentos assim poderiam se repetir mais vezes, né?

    Grande abraço!

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    • nandaetges
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      Verdade, Carla. Muitas vezes, a rotina nos engole e ficamos sem tempo para aproveitar momentos assim, de simplicidade. Beijos!

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