Famílias Empreendedoras: Marré Deci

AnandaEtges_FamiliasEmpreendedoras_LIBERComeça hoje no blog uma série que tem como objetivo ser inspiradora: Famílias Empreendedoras. Trata-se de um conjunto de entrevistas com pais e mães que resolveram empreender após a chegada dos filhos.

Seja para ficar mais tempo com os pequenos, seja para fazer algo realmente motivador, enfim, os porquês são muitos. Mas o que realmente se destaca é que eles resolveram apostar, inovar e seguir o coração, na busca pela conciliação de um grande conflito que é paternidade/maternidade e carreira.

As entrevistas serão publicadas sempre nas sextas e cada semana teremos convidados diferentes. Para iniciar a série compartilho com vocês um pouquinho mais da experiência de alguém que já se tornou uma grande amiga, a Marina Ribeiro, da Marré Deci, de Curitiba.

– Algumas mulheres sentem vontade de mudar de área após a maternidade, buscando investir em algo relacionado com o universo familiar, materno ou infantil. O mesmo pode acontecer com pais. No teu caso, como surgiu a ideia de ter o próprio negócio? O que fazia antes da Marré Deci?

Eu sempre fui uma empreendedora, desde criança. Sempre gostei de organizar, padronizar e, em tudo, eu via uma oportunidade de vender. Sempre tinha ideias e gostava de colocar em prática.

Assim que concluí a faculdade, naturalmente iniciei meu primeiro negócio que foi, imagine só, uma confecção de roupas infantis! O nome era Dippy. Esta empresa durou alguns anos, mas decidi fechar. Algum tempo e alguns empregos depois, engravidei. De fato, a maternidade traz mudanças muito profundas no modo como vemos a vida. Minha filha era bebê ainda e cursei uma pós-graduação em marketing.

Como tinha o bebê e era complicado cumprir os horários como funcionária, abri uma nova empresa, desta vez de prestação de serviços. Esta empresa durou por mais de 10 anos, e passamos a trabalhar o casal. Por fim, tudo acabou! O casamento e a empresa. Não saberia dizer o que terminou antes. Comecei a trabalhar em um município da Região Metropolitana de Curitiba, mas depois de 2 anos de uma rotina bem puxada, desisti.

Eu sempre gostei muito da internet e queria demais trabalhar com comércio eletrônico. Comecei a Marré Deci como uma ponta de estoque, mas não funcionou. Foi neste momento que a Luisa, minha filha mais velha, resolveu vir trabalhar comigo no empreendimento. Como ela é talentosa e criativa, reorientamos a Marré Deci para produzir peças tendo como inspiração a cultura popular. E foi assim que ressurgiu a Marré Deci.

Eu acredito que os pequenos empreendedores têm muito a contribuir na formação de uma sociedade mais justa e igualitária. E espero que possamos chegar a um ponto em que os grandes terão que se adaptar e se curvar a esta nova realidade criada pelos muitos, muitos pequenos envolvidos com esta causa.

– Desde que conheci a marca, fiquei apaixonada pelo nome e pela identidade visual. Da onde surgiu o nome Marré Deci? Quem é responsável pela identidade visual da marca?

O nome vem da musiquinha… Eu sou rica, rica, rica de Marré Deci. Busquei a origem deste Marré Deci e descobri na internet um artigo que traça um histórico da canção. Simplificando, Marré seria a abreviação de Maria e Deci, a corruptela de “dans ce jeu d’ici” que significa “neste jogo daqui”. Algo como “Maria está neste jogo”. De fato nosso negócio está apenas começando e tomando corpo. Temos para o futuro a intenção de agregar muitas Marias em torno de nosso jogo. Queremos que a Marré Deci venha a ser uma oportunidade de empoderamento para muitas mulheres.

A identidade visual é toda de responsabilidade da Luisa Piechnik, minha filha mais velha. Ela é estudante de design gráfico e está trabalhando duro para dar conta do volume de criação que temos. Ela desenvolve toda a identidade da marca, comunicação e ainda as estampas das peças. É bastante coisa. Sorte que ela é talentosa e trabalhadeira!

Marina e Luisa com as fofuras da Marré Deci

Marina e Luisa com as fofuras da Marré Deci

– Você tem 3 filhas. Qual a idade delas? Como é a participação das meninas na empresa? Toda a família acaba envolvida, não é mesmo?

Tenho 3 meninas de 13,15 e 19. Em negócios familiares não tem como evitar o envolvimento, né? O envolvimento direto é da Luisa, que divide o tempo entre o trabalho e a faculdade, mas as outras filhas estão sabendo de tudo, sempre atentas, dão idéias, dão palpites. É bom porque temos sempre 4 pontos de vista. A Marta é ponderada e está sempre me trazendo para o chão, porque eu vou voando! e a Paula, apesar da pouca idade, tem uma visão muito boa da internet, muitas coisas que temos no site foram sugestão dela. E algumas vezes elas põem a mão na massa, também! Vão ao correio, colam umas etiquetas, enfim…

– Quem mais faz parte da equipe Marré Deci? Vocês trabalham com outras mães empreendedoras (mesmo que como fornecedoras)?

Como estamos começando, a grande parte do trabalho é feito por nós. No final de 2013 optamos por produzir as peças, que até então comprávamos prontas. Deste movimento surgiu a necessidade de encontrar fornecedores de serviço. Como eu já tinha trabalhado com confecção, fui buscar parceiros antigos. Escolhemos empresas que tivessem os mesmos valores, e demos preferência a empresas familiares. Mas, pensando bem, este acabou sendo um processo meio natural de aproximação. Ficamos felizes por encontrar tanta gente bacana.

– Geralmente começamos um projeto com muita ansiedade e expectativa. E de vez em quando as coisas demoram mais do que gostaríamos para “andar”, digamos assim. Quais as dificuldades enfrentadas pela Marré Deci no primeiro ano? Como a equipe buscou motivação para continuar inovando e crescendo?

Esta história é bem comprida. É um desejo de muito tempo. Tudo começou em 94 na pós, quando me apaixonei por marketing direto, que evoluiu para marketing de relacionamento, para 1to1. E nesta área entrei em contato com o estudo de bancos de dados e foi aí que surgiu a internet. Um dia eu abri uma propaganda de um software que administrava bancos de dados NA internet. Eu me lembro deste dia direitinho. Hoje isto é bobagem, é corriqueiro. Mas na época… Era isto o que eu queria.

Só que a vida nos tira dos planos. E, por mais que eu rondasse, não tinha jeito de chegar. Quando eu terminei minha sociedade e parti “em carreira solo” eu resolvi que eu queria um negócio na internet. Fui estudar, testar, tentar. Agora são já uns 6 anos envolvida com comércio eletrônico. E acredito que a minha motivação vem daí. De olhar para trás e ver um longo caminho percorrido, do qual eu não quero abrir mão. As dificuldades existem, todas nós estamos apostando e sofrendo as consequências desta escolha, mas a gente apostou e agora tem que pagar para ver!

E quem quer empreender tem que passar por este caminho, não é? Nem sempre as coisas acontecem rápido. Tem que trabalhar muito, com carinho e contar com a sorte, também.

– Qual o conselho que você daria para uma mãe ou pai que quer empreender em algo relacionado à maternidade/paternidade?

O momento é muito bom para os pequenos empreendedores, no sentido de ser possível criar diferenciais. Já há tempos os diferenciais competitivos deixaram de estar centrados nos produtos, porque estes são muito fáceis de copiar. Mas tem coisas que não se copiam. Se for para dar um conselho eu diria: trabalhe com amor. Ninguém copia o amor que você pode dispensar. E uma grande corporação não conhece os clientes como um pequeno pode conhecer.

Todos, sem exceção, estão em busca de carinho, de atenção, de comprometimento. Todos queremos relacionamentos. Não pontos! Que eu tenho pavor destes programas de relacionamento centrados em pontos. Falta de criatividade, gente. Queremos ser conhecidos, bem tratados, que as promessas que nos fazem sejam cumpridas. Em uma estrutura enxuta, é muito mais fácil fazer isto, desde que exista amor na gestão.

Qualquer pessoa pode escrever um blog sobre maternidade, qualquer pessoa pode vender bodies de bebê. Mas só a Ananda pode tratar com o jeitinho da Ananda, responder os comentários, dividir as experiências com carinho. Ah! Mas a Ananda não é PhD em maternidade na Universidade de Harvard! Quem se importa? Desde que ela converse comigo, entenda meus problemas, demonstre amor pelo que faz… Bodizinhos de bebê tem de montes por aí. Mas não é exatamente o que vendemos. Nosso negócio é proporcionar uma experiência de compra única, pessoal, satisfatória. Quem compra uma roupinha está pensando em seu bebê. Não podemos estragar este sentimento com uma experiência negativa. Além disto, trabalhamos alguns conceitos que, acreditamos, podem impactar o futuro destes bebezinhos. Temos uma comunicação que combate os estereótipos e os preconceitos. Não fazemos sequer diferenciação entre as roupinhas de meninos e meninas. Não há “azul” e “rosa”. Defendemos um mundo mais igualitário em todos os sentidos.

E este envolvimento com a “causa” é muito mais difícil quando está delegado a um funcionário. Não é fácil treinar uma pessoa para isto. O sentimento tem que ser genuíno, verdadeiro. Senão vira discurso publicitário e deixa de funcionar. Quantas empresas se perdem no processo de crescimento. É aí que as pequenas devem apostar, e tem grandes chances de vencer! Pode buscar em sua memória, quantas vezes você preferiu comprar ou contratar uma empresa menor porque eles já conhecem você e você pode falar com alguém chamando pelo nome. Não é sempre que a gente está com vontade de ouvir: “Posso ajudar, senhora?”

***

Agora que você já conhece a Marina e a Marré Deci corre lá na lojinha e aproveita uma super promoção: cliente do blog ganha 10% de desconto na primeira compra. Basta usar o código “Projeto de Mãe” na hora de finalizar o pedido. Assim, você vai estar ajudando famílias empreendedoras: a da Marina e a minha 😉

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Clara e Vítor com almofadinhas da Marré Deci, uma das novidades para 2014

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4 comments

  1. Bom dia!
    Adorei este post e amei a loja Marré Deci.
    Também sou uma mamãe empreendedora que começou em função da família e hoje eu amo demais trabalhar e ao mesmo tempo ser mãe em tempo integral, podendo sempre ajustar meus horários em benefício da minha família.
    Como minhas filhas são pequenas, é bem cansativo , mas a recompensa é sem igual.
    Parabéns para todas estas famílias de empreendedores que colocam o amor aos filhos como suas prioridade de vida!
    Abraços,
    Aline

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    • nandaetges
      Author

      Que bom que gostou Aline! Parabéns pra ti também, pela tua coragem de empreender e tentar fazer diferente! Beijos e muito sucesso!

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  2. Pingback: Retomando a rotina

  3. Pingback: Loja Projeto de Mãe: um espaço para famílias empreendedoras | Projeto de Mãe

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