Famílias Empreendedoras: Coruja Maruja

AnandaEtges_FamiliasEmpreendedoras_LIBERA entrevista desta semana na série de famílias empreendedoras é com a Anelise Vaz Kaminski, de Florianópolis/SC. Ela é mãe do Pedro, de 1 ano e 5 meses, e possui graduação e mestrado em sociologia política.

No entanto, atualmente a Anelise se dedica ao filhote e ao projeto Coruja Maruja. A iniciativa busca trabalhar o consumo consciente através de um sistema de aluguel de brinquedos.

Funciona assim: a pessoa escolhe um plano com um determinado número de brinquedos educativos. Ela recebe em casa e as crianças brincam por um mês, tempo em que os pequenos exploram ao máximo os objetos. Depois do período, é possível escolher um novo plano para receber mais brinquedos.

– A Coruja Maruja é uma iniciativa voltada para o consumo consciente. Da onde surgiu a inspiração para o empreendimento?

A inspiração veio da minha experiência como mãe, da reflexão que fiz sobre a necessidade real de comprar tantas coisas para bebês e crianças. Notei que meu filho, como a maioria das crianças, se cansava muito fácil de qualquer brinquedo que eu comprasse, e estava sempre em busca de novidades. Percebi que isso é natural, que é parte da infância, essa busca por estímulos e aprendizado através das coisas.

É brincando que a criança descobre o mundo e, por mais que sejam criativas e consigam se entreter com muitas coisas, os brinquedos são o melhor instrumento pra isso.

Só que eu sempre quis que meu filho tivesse uma infância mais simples, mais livre de consumismos. Eu não queria enchê-lo de brinquedos, não queria incentivá-lo a achar que possuir coisas é o caminho mais curto para a felicidade, mas queria que ele pudesse brincar com todos os brinquedos possíveis, à vontade, até cansar. E foi então que eu tive a ideia do aluguel de brinquedos, que estimula o consumo consciente, diminui a quantidade de coisas sem uso dentro de casa e traz estímulos e brincadeiras variadas todos os meses.

– E a decisão por investir em algo relacionado ao universo infantil veio a partir da experiência de ser mãe?

A experiência de ser mãe me deixou mais atenta à coisas que antes eu não percebia tanto, como o quanto os ideais de consumo da nossa sociedade nos afetam desde tão cedo, fazendo grávidas acreditarem que precisam comprar todos os itens de listas cada vez maiores antes do parto, e mães pensarem que bebês precisam de muitas coisas pra crescerem felizes e saudáveis. Acredito que o afeto é a necessidade primeira da infância, junto com a atenção e o cuidado que derivam dele, e isso não se compra. A segunda é justamente o brincar, o experimentar, ser livre para ser e descobrir.

Ser mãe e refletir sobre essas coisas me fez querer trabalhar com algo relacionado ao universo infantil, e a vontade de poder ter horários de trabalho flexíveis, para ficar com meu filho, me fez querer empreender.

– A primeira vez que entrei no site logo chamou a minha atenção o layout clean e as ilustrações delicadas e com um traço super fofo. Depois, você me contou que é a responsável pelas criações artísticas. Como que surgiu a vontade de aprender a ilustrar? E de que forma tu foi aprendendo as técnicas de vetorização?

Sempre gostei de desenhar, mas nunca fui muito talentosa ou dedicada. Quando tive a ideia da Coruja Maruja, esbocei um logo, que foi recebendo opiniões de amigos e mudando de cara. Eu sabia que tinha que desenhá-lo em vetorial, mas não fazia ideia do que era isso ou de como fazer. Então aproveitei algumas madrugadas, enquanto o bebê dormia (como a maioria das mães, eu imagino), pra aprender em tutoriais, e fui treinando e testando, até que saíram não só os desenhos, mas todo o projeto de design do site e da marca.

– Outra coisa que você me contou é que o layout do site é resultado do trabalho do teu marido. Ele também participou da concepção do negócio? Faz parte do gerenciamento do serviço?

Meu marido é da área de TI, ele é pesquisador na área de acessibilidade, mas não trabalha diretamente com desenvolvimento de websites. Mas claro que abriu uma exceção para o site da Coruja Maruja, e me ajudou com todos os detalhes técnicos relacionados a isso. Ele sempre me deu apoio pra seguir em frente com a minha ideia e busca me ajudar na medida do possível.

– Qual a maior dificuldade desde o início da Coruja Maruja? O que foi fundamental na organização do serviço?

Acho que a maior dificuldade foi, e tem sido, apostar em uma mudança de hábito, pois as pessoas estão bastante acostumadas a comprar as coisas sem se questionarem sobre outras possibilidades. As vantagens de alugar bens de uso efêmero, como brinquedos, são inquestionáveis, mas poucas pessoas já pararam pra pensar no assunto.

O fundamental na organização do serviço foi, justamente, a organização. Quem quer empreender tem que ser muito organizado, não tem jeito.

– E quais os planos para o futuro?

Eu espero que a Coruja Maruja, mais do que uma fonte de renda, se torne algo de que eu possa me orgulhar no futuro, um empreendimento que estimule as pessoas a adotarem práticas de consumo mais conscientes, e que cumpra a função para a qual surgiu: proporcionar um brincar mais sustentável.

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