Maternidade e carreira: um novo ciclo

Maternidade e carreira sempre foi um tema um pouco conflitante pra mim. Desde que o Vítor nasceu, já experimentei os mais diversos arranjos, na busca por atender e conciliar os meus desejos íntimos com as necessidades das crianças.

Não foi uma tarefa fácil e continua sendo um assunto que consome meus pensamentos. Qualquer passo é minimamente pensado. Tem que funcionar pra mim, pras crianças e para a empresa. Tem que ser bom para todos os lados.

Em tal dinâmica, geralmente é difícil a mulher se sentir acolhida pelo local onde trabalha. A questão da carga horária, dos prazos, enfim, da pressão por rendimento. Isso sem contar a falta de flexibilidade.

Filhos ficam doentes, demoram para se adaptar na escola ou com um novo cuidador, exigem N coisas. É assim e não tem como fugir de determinadas demandas e surpresas.

Por isso, trabalhar em um local onde a mulher possa fazer as suas escolhas e ter liberdade para lidar com seus malabarismos faz toda diferença. Desse jeito, sou feliz pela empresa que me recebe sabendo de toda carga que a maternidade agrega à minha vida.

Desde que a Clara nasceu, trabalho em uma agência. Eu já fazia alguns freelas para eles e, quando optei por largar meu emprego anterior, retomamos alguns projetos.

Minha carga horária começou leve, com alguns trabalhos home office, e foi aumentando conforme eu me sentia pronta. Foi um processo que durou mais de um ano para chegar na minha realidade atual: semana que vem começo a trabalhar em turno integral.

É uma decisão importante e que marca um novo ciclo. Sinto um frio na barriga que me motiva e passa a sensação de que é o passo certo.

Finalmente me sinto preparada para encarar o desafio. Mas preciso valorizar que isso só é possível por todo o processo que passamos juntos: eu, as crianças e a agência.

A empresa me deu a segurança necessária para acompanhar os primeiros anos das crianças com toda flexibilidade e compreensão possível. Além disso, mesmo em turno integral, sei que vou continuar sendo amparada e acolhida na minha condição de mãe. Isso faz toda diferença, assim como o sentimento de que a minha duplinha vai aceitar com tranquilidade as alterações na rotina (que serão pequenas, uma vez que os dois já estavam indo mais horas por dia para a escola para eu terminar o mestrado).

Preciso destacar também que outros fatores me deixam tranquila para assumir as novas responsabilidades: moramos em uma cidade pequena, que permite que em 5 minutos eu esteja na escola dos meus filhos, eu adoro e confio na instituição que escolhemos para as crianças, tenho toda uma rede de apoio e amparo, que inclui o Fábio, meus pais, irmãos e avós.

Enfim, é um conjunto de fatores que me permite fazer uma escolha pessoal, motivada pelos meus anseios e desejos profissionais. Que mais mulheres tenham o poder da escolha, assim como eu tenho.

* Com Licença é um documentário que tem como objetivo promover um olhar ao dilema maternidade x carreira. O filme está em processo de produção e lançou, recentemente, um financiamento coletivo, através do site Benfeitoria. Confira o trailer e ajude a divulgar o projeto, para dar visibilidade ao tema. Juntos, podemos colocar o assunto em pauta, como forma de lutar por direitos mais justos em respeito ao pai e à mãe que trabalha. O Projeto de Mãe é parceiro do Com Licença.

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