Quando eu me reencontrei além da maternidade

Oi, prazer! Eu sou a Ananda. Tenho 25 anos, sou jornalista com mestrado em Letras, gaúcha, blogueira, que gosta de sair, comer chocolate, tomar um chopp com as amigas, olhar seriados. Tudo isso e muitas outras coisas. Tenho objetivos, sonhos, preferências e convicções. Frustrações, traumas e anseios.

E, veja bem, eu também sou mãe do Vítor e da Clara. Parte importante do que sou, mas não fundamental.

Nos últimos anos a maternidade foi esmagadora na minha vida. Desde que o Vítor nasceu, uma onda gigante chamada VIDA DE MÃE me engoliu. Logo depois, veio a Clara, e isso foi ainda mais intenso. Eu me deixei de lado e minha prioridade ficou totalmente voltada para os meus filhos. Nada mais natural, né?

Sim, é supernormal, mas a tendência é a gente também esquecer de si.

***

Eu me deixei de lado depois que virei mãe. A maternidade ocupou praticamente todos os espaços da minha vida. Fui diminuindo o ritmo de trabalho, fiz o mestrado no maior malabarismo e me acomodei com a minha aparência e autoestima.

Só agora, que o Vítor está com 3 anos e a Clara quase 2, que consegui voltar a prestar atenção em mim de novo. Atender meus desejos, perceber as minhas necessidades. Valorizar minha vida profissional e me permitir ser eu de novo.

Claro que não sou mais a Ananda de antes de ter filhos. O momento de vida mudou e, automaticamente, eu também fui me transformando. Mas agora volto a me enxergar no reflexo da vida. Como mãe, mas também como profissional, mulher e indivíduo.

***

Comecei a me dar conta disso tudo dias atrás, quando tive vontade de comprar uma bolsa. Eu não usava bolsa desde sei lá quando. Carregava minhas coisas junto com as das crianças ou de qualquer jeito. Era a rainha das sacolas. Deixava a chave num lugar, o celular em outro. Até que pensei: porra, mas por que eu não tenho uma bolsa?

E daí fui eu, toda feliz, comprar uma bolsa. O símbolo da minha individualidade e personalidade! Aproveitei e na mesma loja comprei alguns acessórios. Não usava brinco, anel, corrente porque quando as crianças eram bebês evitava. Na verdade, eu não comprava nada pra mim, seja roupa ou qualquer outro objeto há um bom tempo.

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Perceber tudo isso e olhar pra mim de novo me fez um bem danado. Amo ser mãe e amo essa parte de mim. Mas não é apenas isso que me define.

E por aí? Como é esse sentimento?

(:
ananda

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10 comments

  1. Eu ainda estou no limbo,somente maternando.Nem trabalhando,nem estudando,nem me cuidando,nada.Corto o cabelo uma vez por ano e ollhe lá,mas as crianças sempre bem cuidadas,arrumadas,o corte de cabelo em dia e eu vestindo sempre a mesma roupa pra sair,pq é a que serve e está mais a mão,pra andar em casa também sempre as mesmas, o dia a dia é massacrante,a rotina é pesada,e os dias passam tão rápido,a semana voa.Nossa,eu sinto como se sempre devesse alguma coisa sabe?Deveria ter limpado aquele mofo da parede,deveria ter brincado mais com os guris,deveria sair mais com eles,enfim a loucura de sempre!Credo!Desabafei,kkkkk
    Mas já estou com vontade de voltar a cuidar de mim, estava pensando nisso dia desses,mas agora to com preguiça kkkkk

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  2. Lembro que a primeira vez que sai e comprei algo para mim – e na-da para a Bia – me senti a pior mãe do mundo, maior culpa do universo como se eu tivesse feito a coisa mais perversa. E eu tinha comprado sei lá, um jeans, ainda naquelas do “to precisando muito”.

    Uma bosta né?
    Acredito que tudo isso é muito prejudicial para nossa sanidade, nossa individualidade, tudo. Porque não nos resumimos a um papel no qual exercemos. Além de mãe, você, Ananda, é uma mulher jornalista, é uma mulher que gosta de seriado, é uma mulher que gosta de tomar chopp, que deve ter seus planos com ou sem seus filhos. Enfim, tem N funções que exerce, mas de você só é cobrado a maternidade. Nem vou entrar na questão da sociedade, mas né… sabemos que isso só acontece com as mulheres.

    Enfim, fico feliz por você, de verdade!

    Beijo
    E que venha mais e mais bolsas! rs

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  3. Oi Jana! É um processo e uma vontade que parte da gente. Para algumas mulheres é super rápido. Para outras, pode demorar mais! Não se sinta culpada por ainda não estar afim. A rotina já é pesada demais para a gente ainda viver se culpando 😉 Super beijo!

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  4. Pingback: Retomar o caminho e reconhecer-se | Blog da Marré deci

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