Mãe jovem: sobre responsabilidade e maturidade

Já recebi diversos contatos via blog ou Face questionando sobre ser mãe jovem. Algumas mulheres me perguntam como é, dizem que possuem 20 e poucos anos, algumas menos, e falam sobre o desejo de ter um filho. Outras, que já são mães, se identificam com a minha história e deixam os seus relatos.

Já escrevi sobre isso uma vez no blog, quando o Vítor era pequeno. Abordei a questão do preconceito com quem tem filho cedo. Agora que tenho 25 anos não sinto mais isso, entretanto, noto na sociedade de modo geral. A mulher que tem filho por volta dos 20 anos ou até antes é considerada alienada, irresponsável.

Tive o Vítor com 22 anos e a Clara com 23. Na primeira gravidez, eu já estava formada e viajava em intercâmbio no exterior. Era um namoro recente. Mesmo assim, falávamos sobre ter um bebê logo (sabe-se lá o motivo hehehehe). Era nossa vontade, começar uma família. Apesar da minha idade (Fábio é 9 anos mais velho que eu). Apesar das dificuldades. Apesar da instabilidade financeira.

Confesso que hoje em dia eu não sei o que tinha na cabeça hahahaha. Brincadeira! Eu tenho dois irmãos mais novos e sabia, minimamente, o que ter um filho envolve. Toda responsabilidade, as exigências, a dedicação. Claro que jamais imaginei que seria tantooooo assim. De qualquer forma, eu tinha noção.

Quando alguém me pergunta sobre ter filhos cedo eu respondo: pense bem! Ter um bebê é algo incrível, mas que exige maturidade.

Dedicar-se a um pequeno ser que depende de você é cansativo, intenso, suga toda nossa energia. Conciliar cuidados com estudo e, muitas vezes, também trabalho, é uma verdadeira maratona. Sair de casa e dar tchau para aquele rosto redondo com olhinhos brilhantes parte o nosso coração.

Também precisamos de tempo pra gente e seguir com os nossos desejos e sonhos, mas um bebê muda muita coisa. É preciso preparo emocional para lidar com os sentimentos. Amor, culpa, zelo. Tudo no limite da razão e da emoção.

Além disso, é preciso pensar no relacionamento. Bebê não salva ou segura namoro ou casamento algum. Pelo contrário, é necessário um verdadeiro parceiro para encarar tantas mudanças no corpo e na alma. Parceiro para assumir toda responsabilidade de forma conjunta, entendendo todo o contexto e se entregando ao seu papel de pai.

Eu sempre quis ser mãe e posso dizer que me sinto realizada com os meus filhos. Ser mãe jovem mudou os meus caminhos e me apresentou outras possibilidades.

Já me peguei pensando em como seria a minha vida sem o Vítor e a Clara. Acredito que seria muito diferente. Não posso dizer melhor ou pior e acho que isso nem importa. O que importa são os caminhos que segui e onde estou.

Por isso, quando alguém me pergunta sobre o que fazer, eu só posso dizer: olhe para você. Veja a sua realidade, variáveis. Sinta o que o seu coração diz. Se a decisão for encarar a maternidade, encare isso com todo amor e responsabilidade que requer. Boa sorte na jornada! Ela pode não ser fácil, mas com certeza será cheia de recompensas. Um beijo babado é uma delas. A mais sincera e singela recompensa.

mae_jovem

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4 comments

  1. RAQUEL

    Concordo, Ananda! Antes da idade vem a maturidade!!
    Tenho 21, tive meu pequeno aos 18, e não me arrependo!!
    Só estou na dúvida quanto ao segundo. pois sou louca por criança, se eu pudesse teria 4 filhos ou mais.
    A minha duvida é se eu tenho logo o meu segundo, já que o meu filho esta com 3 anos e 3 meses. Ou espero mais alguns anos para te-lo.
    Pois sou daquelas mães que quer dar de tudo pros filhos. Colégio particular, cursos, esportes, passeios, brinquedos..
    O amor e carinho nem se fala, não preciso de tempo pra ter condições de dar, já possuo muito.
    Meu filho é melhor coisa que Deus podia me dar, com ele construir a família que eu sempre sonhei.

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    • Ananda Etges
      Author

      Ah, que legal encontrar mais mães jovens para trocar experiências! Eu tive o Vítor com 22 🙂

      Essa dúvida do segundo é super comum. Aqui queríamos os dois com pouca diferença. Deu muito trabalho no início, mas agora estamos curtindo bastante!

      Beijos!

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  2. Leticia

    Lindo texto! Fui mãe aos 31 e agora aos 33. Hj sinto que poderia ter sido um pouco antes. Sou apaixonada pela maternidade e me realizo muito MAS abrimos mão de muita coisa. Não controlo mais nada, dependo de ajuda e não faço planos a longo prazo. Vivo cada dia! Ainda tenho tempo para pensar no terceiro, louca!
    Abraços

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