Praia com crianças: sombra, água fresca e alguns cabelos brancos

Quando vejo uma mulher sentada sozinha na beira da praia, aproveitando o sol e lendo um livro, na maior tranquilidade, sinto um bocado de inveja. Inveja de quem não sabe o que é isso por uns bons anos e que nem sonha quando vai conseguir sentar na santa paz olhando para o mar novamente.

Se você consegue sequer ouvir os seus pensamentos na praia: parabéns! Eu só escuto: mãe, olha a pipa, mãe, o picolé, mãe, a água viva, mãe, mãe, MÃÃÃE!

A maratona começa em casa, com a prova de passar o protetor com obstáculos. Começo na perna de um, vou para o braço de outro e quando me dou conta já nem sei mais onde falta passar. Na dúvida, passo mais uma camada geral, coisa que leva uns 20 minutos (com sorte). Impacientes, os dois já estão indo pra porta. Vou pegando bolsa, roupão, óculos. Esqueço água, volto para buscar.

Enquanto isso, os pequenos gritam no corredor, os cachorros dos vizinhos começam a latir. As crianças apertam todos os botões do elevador e cantam alegremente. Corro atrás para chegar e lá vamos nós: enfim, rumo à praia.

No caminho, vão perdendo tudo que é brinquedo do carrinho. Eu, atrás, vou juntando as estrelas do mar pela calçada. Dão oi para uma pessoa, gritam com outra que não simpatizam (?).

Na areia, não consigo nem deixar a bolsa que já estão na água. Pula pra cá, pula pra lá, lambança garantida. Mãe pode não gostar de água? Sem chance.

Tá fundo, vamos mais para lá, que tal um pouco de areia? Enfim, escutam minha súplica por alguns momentos de sossego na cadeira. Sossego? Será que li direito?  HAHAHA. Vai sonhando.

Um cava jogando areia no outro, busco água e brigam para saber quem vai usar. Querem justamente a mesma pá. Para que servem pás de mil cores se só a azul presta nesse mundo, Senhor? Um grito aqui, um picolé ali e tudo na “paz” de novo.

Sol começa a queimar e já é hora de voltar. Guarda tudo, um foge já indo embora, ouro chora sabe-se lá o porquê. Criança empanada de areia quer colo. Mano observa e quer também. Falta braço, falta argumento, falta sanidade.

Chegando em casa, banho em um, banho em outro e ufa, acabou. Por hoje é só. Bora tirar uma soneca gostosa que amanhã tem mais. Com emoção. Sempre com muita emoção (e alguns cabelos brancos, afinal, não tem como passar imune ao furacão).

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E mesmo assim a gente volta renovada, né? Bipolaridade materna!

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6 comments

  1. Leila Ferreira

    Sou mãe de duas crianças. Me identifiquei com alguns de seus posts. Ñ é fácil mesmo. Estou me preparando pra viajar. Destino….práia. Ufa…já estou me preparando pra fazer as malas. Aiai…só vou viajar em fevereiro, mas já estou preocupada. Os meus cabelos brancos vem desde já. Nunca gostei de fazer malas. Ainda mais agora que tenho que fazer mala pra quatro, isso inclui a mala do marido…como eu disse antes..ufa…mas sei que vou sobreviver de novo.

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    • Ananda Etges
      Author

      Leila, também odeio a parte das malas! Fazer até é gostoso, pela expectativa, mas desfazer… aiaiai! Um saco! Hehehe.

      Boa sorte e uma excelente praia para vocês!

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  2. Agora eu ri! Conhecimento de causa é duro. Esse foi o primeiro verão desde a gravidez que consegui me bronzear. Não, na verdade torrei embaixo do sol enquanto a cria brincava na beira da água. E o pior é dizer que, apesar de tudo, voltou renovada. Me senti igual. beijos

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