Cadê a mãe perfeita que tava aqui?

Desde que me tornei mãe uma questão em especial me deixa intrigada: o mito da mãe perfeita.

Mães perfeitas. O que fazem, como vivem, o que comem. Não, não é mais uma abertura do Globo Repórter. É uma caça atrás de um padrão inatingível.

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E sabe que por muito tempo acreditei na mãe perfeita. Na minha idealização, a mãe perfeita tinha sempre uma brincadeira super fantástica na manga (reciclagem, artes manuais, pintura), um cronograma meticuloso e uma paciência de elefante (e lá sei como é paciência de elefante, mas foi o animal que veio na cabeça como um exemplo de calma e serenidade).

A mãe perfeita nunca chega do trabalho cansada ou estressada. Ela sabe separar muito bem as coisas e não fica emocionalmente abalada (HAHAHAHA). Na verdade, talvez a mãe perfeita nem sequer trabalhe. Sua versão 2.0 modelo mãe full time é recorrente.

Na versão 2.0, as atividades de casa são conciliadas com maestria com a rotina de cuidados com os filhos. Cada tarefa no seu tempo, do início ao fim. Nada parecido com o vídeo abaixo:

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Então que eu me tornei mãe. E me tornei mãe de dois. E os projetos de filhos foram crescendo. E lá se vão quase 4 anos como mãe.

E sabe o que descobri? Que a tal mãe perfeita não só não existe como é uma falácia!

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Por muito tempo busquei ser um modelo exemplar. Chorei exausta na cama, frustrada por não dar contar de tudo.

Não dormi, fazendo listas mentais. Planejando, tentando, buscando uma fórmula mágica. Um monte de verbo no gerúndio que não me levou a lugar algum.

Hoje, aproveito cada dia na sua singularidade. Marido vive reclamando que não me planejo, estou sempre com a cabeça nas nuvens.

Na verdade, estou com a cabeça no presente. Troquei o planejamento pela flexibilidade. Passei a tentar aceitar que nem todos os dias vão ser maravilhosos. Comecei a me permitir errar, ficar mau humorada, deixar algumas coisas para depois.

Não é um processo fácil se livrar da culpa e dos estereótipos que rondam a maternidade. Mas, o que posso dizer, é que é libertador. Pra gente e para os nossos filhos, que não precisam carregar o peso da perfeição que passamos para eles.

Por uma maternidade mais leve, imperfeita e real.

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