A infância que passa e o tempo que a gente não vê passar

Rotina é um negócio engraçado. Vivemos em uma relação de amor e ódio. Ao mesmo tempo em que é uma alegria ter uma programação, saber que horas as crianças vão dormir, tomar banho, acordar, é também um pouco triste perceber o quanto vivemos amarrados no que temos que fazer.

Mamãe tem que trabalhar. Já é hora de deitar. Agora você precisa comer. Uma fila interminável de tarefas que vai limitando o nosso tempo com os filhos. Tempo que a gente nem sequer vê passar, na ânsia do fim de semana, do feriado no fim do mês, das férias no final do ano.

A semana vai embora em um piscar de olhos, enquanto vemos a lista de “por fazer” aumentar e as brincadeiras com os filhos diminuir. Dá para contar nos dedos quantas vezes sentamos para desenhar ou pintar. No entanto, faltam mãos para calcular os problemas resolvidos na vida doméstica ou profissional.

Enquanto isso, a infância dos nossos filhos vai passando. Eles crescem, vão demonstrando a sua personalidade e as suas preferências. Parecem entender a regra do jogo desde cedo, por mais que tudo isso não faça o menor sentido para eles.

Tempos atrás o Vítor soltou uma que entrou como um punhal no meu peito. Estávamos jantando e ele perguntou como foi o meu dia, como geralmente questiona. Antes mesmo de começar a responder ele disse: “Ah, mãe, já sei, foi cansativo. Sempre é, né?”.

Naquele momento percebi que quase todo dia a minha resposta é a mesma. Meu dia sempre é cansativo. Eu sempre me viro em um milhão para dar conta da metade das coisas que tenho, pois não dou conta de tudo.

Por isso que agora, que conseguimos encaixar uma pequena semana de férias, estou tentando abrir mão da rotina. Vamos dormir quando tivermos sono. Vamos passear quando tivermos vontade. Vamos nos permitir não fazer nada juntos, curtir o tempo passar sem olhar para o relógio.

É uma desconstrução não tão simples, especialmente quando estamos acostumados a andar em outro ritmo. Mas, ao mesmo tempo, é uma alegria compartilhar momentos de leveza com os pequenos. De tranquilidade, calmaria e atenção voltada para eles.

Por mais rotinas quebradas e sorrisos de euforia. Por mais férias no meio do furacão.

Nem sempre vai ser simples. Nem sempre vai ser fácil. Mas que seja com eles e por eles.

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