Maternativa: mães prontas para empreender

Um lugar para reunir iniciativas de empreendedorismo lideradas por mães. O Maternativa já possui mais de 250 negócios cadastrados, todos unidos por uma motivação em comum: os filhos.

A ideia do site partiu de Camila Conti e Ana Laura Castro, amigas que viram uma oportunidade para juntar forças e trocar ideias. Conheça mais sobre o projeto em uma entrevista dada ao blog cheia de inspiração.

– Quem é Ana Laura e Camila? Como o caminho de vocês se cruzou e se encontrou no empreendedorismo materno?

Camila Conti: Tenho 34 anos e sou mãe do Jun, de um ano e meio. Sou formada em Administração de Empresas e trabalhei por vários anos na área de Marketing como analista. No decorrer da minha vida profissional, fui abrindo espaço para as áreas que mais gostava de atuar: a comunicação e o design gráfico. Fiz especialização na área pela Escola Panamericana de Artes e pós-graduação em Gestão da Comunicação pela ECA-USP, além de outros cursos específicos. Já trabalhei no terceiro setor e nos últimos anos atuei em algumas agências de publicidade como Diretora de Arte. Com a chegada do meu filho no ano passado fui dispensada da agência para a qual prestava serviços e acabei ficando com uma única cliente que, depois de um ano, não renovou o contrato.

Estava sem emprego, com contas a pagar e um filho para criar. Precisava fazer alguma coisa. Tenho um companheiro, estamos juntos há 5 anos e atualmente é ele quem paga as contas fixas de casa, mas o orçamento está sempre apertado, por isso, decidi empreender. Também fiz essa escolha na tentativa de buscar mais satisfação com o trabalho, mais tempo e disponibilidade para cuidar de perto da criação e educação do Jun.

Meu negócio hoje é uma mistura de projeto com produto: eu faço ilustrações de figuras maternas, em série ou personalizadas. Também escolhi investir em um “objeto”: as almofadas. Entretanto, meu grande propósito é enfatizar a importância da figura feminina nesse processo da criação e formação de indivíduos. Acredito que a maternidade/paternidade são lugares de muita responsabilidade e eu, especificamente falando das mulheres (porque é o meu universo, é onde estou) decidi criar o Mamainz para dar visibilidade de uma forma amorosa e carinhosa a essa figura tão central e importante na vida de todos nós: as mães.

Ana Laura: Tenho 30 anos e sou mãe do José, de um ano e meio. Sou pedagoga mas mudei radicalmente de profissão, comecei a repensar as minhas prioridades e escolhas, o José se tornou o meu foco. Me questionava todos os dias sobre como poderia estar com ele e trabalhar? Nessa caminhada encontramos várias mães repensando as suas escolhas.

Criamos o Maternativa como uma possibilidade de unir essas mães! Em paralelo, conversando com uma amiga que também estava nessa busca, abrimos uma empresa de decoração Festinhas Manuais. Hoje em dia trabalho bastanteeeee, mas o José está SEMPRE comigo e para mim essa é a melhor parte de ser uma empreendedora materna 🙂

Ana Laura Castro e Camila Conti - Foto Mayara Neves

Ana Laura e Camila. Crédito: Mayara Neves.

Nos cruzamos antes da maternidade, por meio de amigos em comum e com a gravidez, acabamos ficando mais próximas e hoje, somos parceiras no Maternativa.

– Como que surgiu a ideia de reunir o trabalho de mães empreendedoras em um lugar só?

A ideia do Maternativa surgiu em 2013 quando a Ana Laura Castro (minha parceira nesse projeto) e eu ainda estávamos grávidas. No começo, tínhamos como intenção criar um evento para reunir mães e falar de tudo um pouco: parto, saúde, educação, trabalho. Com o passar do tempo (e com a nossa evolução nesse processo de maternidade) começamos a entender que existiam outras demandas também importantes dentro desse universo materno/feminino.

Baseadas em nossas próprias histórias e experiências, percebemos que nossa dificuldade em retomar a vida profissional no mercado de trabalho tradicional também era uma dificuldade para outras mães. Identificamos isso nos grupos virtuais em que estávamos, nas rodas de pós-parto que participávamos, nas conversas que tínhamos com amigas. Decidimos empreender e criar o grupo como uma forma de unir e reunir outras mães que também estavam buscando um novo caminho profissional fora do mercado de trabalho para que, juntas, pudéssemos nos apoiar nesse sentido por meio da troca de experiências, do compartilhamento de melhores práticas de negócios além do grupo ser também um espaço para tirar dúvidas, promover os negócios das mães e fazer novas amigas.

– Quais os planos após a criação do site?

Dominar o mundo! [Brincadeira]. Por ora, não temos muitos planos. Queremos fazer algo útil, que seja bom e que ajude outras mulheres. Pode ser um negócio social, pode ser um evento, pode continuar sendo apenas o site. Pode ser tudo.

– O que vocês aprenderam a partir da relação com o empreendedorismo materno? O que dariam de dicas para as mulheres que desejam seguir o caminho do empreendedorismo?

Diríamos para ela se programar financeiramente para que essa transição seja tranquila e não no “susto”. Acreditamos que empreender não é abrir mão da carreira, pelo contrário, é investir nela só que fora do mercado tradicional. Inclusive, quem investe em um negócio próprio acaba ficando muito mais atualizado do que quem está há anos numa mesma empresa, num mesmo posto de trabalho. Quem empreende não trabalha menos, pelo contrário. Você tem mais chance de trabalhar menos sendo empregado. Entrentanto, o preço que vc paga sendo funcionário é mais caro: é o seu tempo que está em jogo.

Empreender tem a ver com isso: ser dono/dona do próprio tempo. É um absurdo uma mulher ter de passar 5 horas num PS com o filho ou filha apenas para poder pegar um atestado médico e levar na empresa para que o dia não seja descontado quando, muitas vezes, estar em casa e cuidar dos filhos por uma tarde é o suficiente para que aquela criança se recupere. É claro que a realidade do empreendedorismo não é pra todo mundo porque algumas pessoas realmente conseguem se adaptar bem no retorno ao mercado de trabalho e tem empregos que possibilitam qualidade de vida e presença familiar. Entretanto, estamos falando de uma minoria. A realidade das empresas é que a maioria é opressora e machista em relação às mulheres preterindo-as na fase da vida em que elas são mais produtivas porque tem medo de “perder” em produtividade a funcionária porque ela vai ser ou quer ser mãe.

***

Muito obrigada, Camila e Ana Laura. Sucesso na iniciativa!

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6 comments

  1. olá bom dia , gostaria muito de participar do grupo, trabalho com aromaterapia, produtos naturais para bem estar e saúde . Sou terapeuta também. qual é o sistema para participar? No meu site poderão ter uma noção do que é o meu trabalho. Uma amiga que participa desse grupo que me deu a referência de vocês.
    Obrigada,
    um grande abraço,

    Ana Adelaide

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