Famílias empreendedoras: Coloré Crochê

AnandaEtges_FamiliasEmpreendedoras_LIBERPra mim é uma alegria compartilhar projetos e iniciativas de famílias empreendedoras, ainda mais quando conheço pessoalmente o trabalho desenvolvido.

É o caso da Débora Ribarski, da Coloré. O trabalho dela deu um toque todo especial ao aniversário de 3 anos da Clara. É o amor em forma de trabalho manual, fiquei realmente encantada com as fofuras produzidas.

Então, segue uma entrevista com a Débora contando mais sobre o surgimento da Coloré e sua trajetória no empreendedorismo familiar.

– Percebo que muitos trabalhos manuais passam de geração em geração, sendo transmitidos, de modo geral, pelas mulheres da família. Na minha casa, minha mãe e minha avó fazem trabalhos incríveis com tricô. Eu já tentei aprender, mas não levei muito jeito (!). Da onde surgiu o teu interesse por trabalhos manuais? Com quem aprendeu?

Venho de uma família de artesãs. Minhas tias avós todas costureiras, bordadeiras. Cresci entre linhas, agulhas, lãs e máquinas de costura. Desde muito cedo aprendi o cuidado e o carinho de vestir algo feito à mão. Quando criança eu tinha interesse, até pedi uma maquina de costura de brinquedo num aniversário. Mas, quando cresci, fui para o mundo acadêmico e, apesar de estar sempre customizando uma coisa aqui e outra lá, esqueci o mundo do artesanato.

12247687_1047556711968676_567131598793620623_oPorém, depois do nascimento do Vicente, meu primeiro filho, eu comecei a me reconectar mais com as mulheres da minha família. Comecei a querer resgatar o aprendizado e a história das coisas feitas por elas. Eu passei a sentir o “carinho de mãe”.

Eu estava com uma depressão pós parto e busquei o crochê como uma terapia, que virou amor, que virou sustento. Mas pra ser sincera, fui (e sou) totalmente autodidata. Minha mãe ensinou uns pontos básicos e eu me virei em vídeos, fóruns e apostilas pra aprender o crochê e o tricô.

– E quando o hobby virou profissão? Qual foi o start para empreender?

Acho que tudo começou com a gravidez do Raul, meu segundo filho. Quando eu decidi que queria um parto domiciliar mas não tinha a menor condição de pagar uma equipe, era algo fora da minha realidade. Fiz alguns gorros de crochê para vender e logo se tornou uma campanha de arrecadação. Consegui juntar quase todo o valor necessário e tive meu parto em casa. Aquilo me deu uma força enorme porque, pela primeira vez percebi que o que eu fazia não tinha só valor para mim, mas para o mundo também, que outras pessoas se interessavam pelo que eu produzia.

Então, quando Raul cresceu um pouquinho, criei umas peças e abri uma lojinha online. Desde então as coisas estão se desenvolvendo aos pouquinhos.

12265561_1047556611968686_5150807080857607721_o– Muitos cases de empreendedorismo materno estão relacionados com a vontade de estar perto dos filhos e conciliar em paz maternidade e profissão. Contigo foi assim? Os meninos foram a grande motivação para empreender?

Sem dúvida! A ideia de ficar fora de casa doze horas por dia me assustava. Na minha realidade de mãe pobre, não existe meio período, não existe redução de carga horária ou home office. São oito horas por dia mais quatro horas de deslocamento dentro de ônibus (vida de quem mora em região metropolitana). Muitas vezes a maior parte do salário vai para a creche, sobra pouco. Eu ficava pensando como faria para contornar isso.

Minha mãe sempre “se virou”, sempre esteve trabalhando com várias coisas em casa para também não precisar trabalhar fora.  Bolo, chocolate, sacolé, arranjos de flores, bordados em pedraria, tricô. Talvez por isso eu tenha pensado nessa alternativa. Mas, isso só foi possível porque eu tinha uma certa “segurança financeira”, meu marido ainda trabalhava formalmente, então, pude começar com calma.

12273656_1047556808635333_7969436325868967770_oPorém nossa mudança de cidade mudou tudo e, sem conseguir uma recolocação no mercado de trabalho, tivemos que segurar as pontas somente com a Coloré, e isso fez com que ela tomasse outras proporções dentro da nossa história.

– A rotina com filhos não costuma ser simples nem previsível. Como tu faz para conciliar isso mantendo o ritmo na loja virtual e com a demanda de pedidos?

É bem complicado! Eu amamento e os dois ainda não vão para a escola. Quando Willian trabalhava fora, eu só conseguia trabalhar depois que as crianças dormiam à noite. Durante o dia era praticamente impossível!

Hoje, como Willian ainda não está trabalhando, nós fazemos um revezamento. Ele fica com as crianças enquanto trabalho, dividimos todo o trabalho doméstico, eu fico com eles enquanto ele faz a parte de postagem. A noite, enquanto eles dormem, eu termino encomendas enquanto ele finaliza as peças ou ajuda a produzir algo urgente (ele está aprendendo crochê também). O trabalho se estende noite a dentro e, acho que isso é super comum na vida de pais e mães empreendedores. Aqui é a única maneira de conseguir produzir o suficiente.

– Se você pudesse dar um conselho para mulheres que estão cansadas da vida profissional e pensando em largar tudo para seguir um novo caminho, mais perto dos filhos… qual seria?

Eu diria que é preciso estar bem consciente do que se quer, de onde quer chegar, dos objetivos. Geralmente, quando pensamos em empreender, temos uma visão bonita de que poderemos conciliar tudo, termos menos culpa, não perder nada. Mas isso é impossível. Não há como não perder e, é preciso dizer uma verdade: muitas vezes, empreendendo, trabalhamos mais do que quando temos carteira assinada.
12227008_1047553215302359_690030105138550363_nTudo depende do tamanho que isso terá na sua vida. Se é um complemento de renda, se será a renda principal, enfim. Mesmo assim, mesmo com todas as dificuldades de conciliar, principalmente, o trabalho com a vida doméstica, eu não mudaria nada.

Há sim, uma certa flexibilidade e há, com certeza, a proximidade dos filhos. E é preciso um planejamento, começar devagar. As vezes, começar antes mesmo de largar tudo, um pouquinho por vez, para experimentar, para testar. É preciso pensar em como será a rotina, como será a disponibilidade de tempo e se nessa disponibilidade cabe todo o trabalho que virá.

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