Desafio da maternidade

Fui marcada por amigas queridas no desafio da maternidade que está rolando no Facebook. Vi bebês fofos, crianças sorridentes e momentos incríveis para diferentes famílias. Fiquei feliz pela lembrança e cheguei a rolar por entre diferentes pastas do meu computador procurando algumas imagens. No entanto, preferi não participar.

O desafio pede que mães compartilhem fotos que mostrem a felicidade de ser mãe. Depois, a pessoa deve desafiar outras mães a fazerem o mesmo.

Vi que uma mãe recusou o desafio e teve o perfil na rede social denunciado e bloqueado. Tudo por desconstruir a maternidade e fazer um desabafo sincero sobre ser mãe e todas as cobranças sociais implícitas.

O desabafo me lembrou um texto incrível que li dias atrás no Cientista que Virou Mãe: Amo meus filhos. Mas odeio ser mãe. Ele fala exatamente sobre a carga que as mães carregam simplesmente por serem mães.

mulher

Série fotográfica What Does Breastfeeding Look Like?, de Suzie Blake

Elisabeth Badinter, na obra “Um amor conquistado: o mito do amor materno”, afirma:

O amor materno foi por tanto tempo concebido em termos de instinto que acreditamos facilmente que tal comportamento seja parte da natureza da mulher, seja qual for o tempo ou o meio que a cercam. Aos nossos olhos, toda mulher, ao se tornar mãe, encontra em si mesma todas as respostas à sua nova condição. Como se uma atividade pré-formada, automática e necessária esperasse apenas a ocasião de se exercer. Sendo a procriação natural, imaginamos que ao fenômeno biológico e fisiológico da gravidez deve corresponder determinada atitude maternal.

Por que a imagem da mãe precisa estar associada diretamente com felicidade, amor e plenitude? Nem todas as mulheres se sentem de tal forma e sim, nós precisamos falar sobre isso.

Precisamos falar de uma maternidade solitária.
Precisamos falar de uma maternidade cansativa.
Precisamos falar sobre a maternidade compulsória.
Precisamos falar sobre o direito de escolha de ser mãe ou não.

ProjetoDeMae_Card_MODELOS_1Mas quer saber… isso não precisa anular os bebês fofos e crianças sorridentes. Vamos falar sobre eles também. Juntas podemos fazer uma troca tão mais rica, mais verdadeira, mais profunda.

Vamos parar de apontar dedos e acolher. Acolher a mulher que está ao nosso lado, pois não sabemos nada sobre a sua história, suas dores, feridas ou alegrias.

Vamos celebrar com a mulher que ama ser mãe. Mas vamos também oferecer um colo e ter empatia com a mulher que precisa de ajuda ou simplesmente de um pouco de atenção para desabafar e falar sobre como ela se sente.

Sororidade com as mães. E como diz a Babi, uma querida amiga incrível… vamos juntas?

* O livro da Elisabeth Badinter está disponível em pdf, de forma gratuita, AQUI.

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