Desabafo e culpa de mãe: todo o cansaço que eu sinto

Hoje o post é um desabafo na maior vibe culpa de mãe.

Muita gente pensa que só bebê ou criança pequena dá trabalho. Eu mesma como mãe me iludi com isso e achei que depois que o Vítor e a Clara alcançassem uma autonomia mínima em tarefas da rotina, como comer, se vestir, etc, tudo estaria de boa. Hahahahahaha. Tolinha.

Hoje em dia me pego em um cansaço tão grande quanto quando a Clara acordava 188265 vezes por noite (sim, tenho um arrepio só de lembrar disso e todos meus óvulos desaparecem do corpo na tentativa de evitar a todo custo mais um bebê). Talvez a principal diferença era que naquela época o cansaço era físico, hoje sinto como um esgotamento mental.

Não briguem, hora de desligar a TV, hoje sem YouTube, vamos brincar, isso não é certo, o colega não devia ter feito isso e por aí vai a lista de discursos repetidos exaustivamente ao longo do dia todos-os-dias-mil-vezes.

E, é claro, não fica por aí. Tudo precisa ser justificado, explicado, argumentado. Crianças não se contentam com um porque não (e que bom, por um lado!). Querem saber de tudo, do Egito ao motivo de existir mendigos na rua.

Na nossa vida atual, leia-se sem-ajuda-vó-mãe-socorro-alô-dinda-vem-cá isso pesa MUITO. Fábio trabalha o dia todo e eu que fico com as crianças sozinha 80% do tempo. Do amanhecer ao adormecer. De segunda a segunda. De janeiro a janeiro. Na saúde e nos vômitos da madrugada que nos atormentaram nos últimos dias.

Alerta de mãe cansada pelo olhar do Vítor

E daí que eu fico frustrada. De saco cheio. Tem horas que me tranco no banheiro só para escutar um áudio das amigas sossegada. Momentos em que como chocolate escondida na cozinha e quando os dois me chamam eu digo que só tô vendo uma coisa (e os pequenos ainda me pegam no flagra quando sentem o hálito de doce).

Tem dia que a louça fica na pia até criar vida própria (ou o Fábio chegar do trabalho e dar jeito). Tem dia que o almoço ou janta ou os dois é fast food ou, ainda, um requento do que encontro na geladeira e nem sei desde quando está lá.

Às vezes eu simplesmente não quero brincar de Lego. Ou encarar a 3ª guerra mundial porque aqui em casa ninguém sabe perder no jogo de memória e sempre acaba com um chutando todas as peças e batendo porta. Deixo o Vítor e a Clara jogar vídeo game para ter meia hora de paz.

Sinto culpa por todas as vezes que não quis sentar no chão e dar atenção para eles. Que dei o trabalho como desculpa. Que fui brincar, mas não desgrudei do celular. Isso acaba comigo, mas tem vezes que não consigo evitar por todo o cansaço que eu sinto. E como dói.

E por aí, coração de mãe também vive todos esses dilemas e passa por tantos devaneios? Conta pra mim nos comentários. Aceito também abraços virtuais e #TamoJuntas.

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4 comments

  1. Lorena

    Sim Ananda, #tamojuntas!
    Meu filho tem 6 anos, e toda energia do mundo…. já eu, bem… eu nem sei mais de onde tirar energia… kkkk!
    Trabalho o diz todo, chego em casa E X A U S T A! Sempre com muita saudade do meu filhote, mas sempre muito cansada também… tem dias que só quero deitar e ficar em silêncio… mas não dá né…. tem janta pra fazer, tarefa de casa, assistir desenho, brincar…. e confesso que me sinto culpada por não conseguir dar toda a atenção que ele precisa e merece… Enfim, vamos fazendo o nosso melhor (ou o que aguentamos) a cada dia, ainda bem que o pai divide as tarefas comigo, afinal a rotina é bem pesada e o cansaço tem dias que toma conta mesmo!

    Abraços virtuais de uma mãe que sempre carregará essa culpa por não dar conta de tudo… Lorena.
    lma_07

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    • Ananda Etges
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      Oi Lorena!

      Nossa, é exatamente isso. Culpa por não conseguir dar a atenção que gostaria. Mas como tu disse, vamos levando, errando tentando acertar. Beijos!

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  2. Débora

    Menina! é exatamente assim! Faço tudo isso que vc faz e tb me culpo! Tenho uma menina de sete anos e como demanda atenção! DIÁRIA, O TEMPO TODO!! Mas somos humanas, “fracas”.
    Não importa muito se não estou atenta à ela o tempo todo, pois amo minha filha imensamente, infinitamente e morreria por ela!
    Tento dar uma compensada aos sábado, ou a cada 15 dias saindo só com ela, fazemos nossos roteiros preferidos, com calma e até nos esbaldamos em comidas-porcaria e gargalhadas!
    Viva o amor! Viva às mães não-perfeitas!
    Imagina se fossemos perfeitas e nossas filhas tivessem essa perfeição como padrão quando elas fossem mães, se sentiriam bem pior do que nós.
    Eu sou sincera com minha filha e quando tô estressada explico pra ela que adultos se sentem cansados, com a mente cansada e só quero fazer o Nº 02 s-o-z-i-n-h-a!! Vivendo cada dia com mais amor e menos pressão!!
    Hoje mesmo ela foi fazer compras com o pai e eu pedi uma barra de chocolate SÓPRA MIM PQ TÔ ESTRESSADA!
    Viva sinceramente, com verdades a vida de mãe!

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    • Ananda Etges
      Author

      Super obrigada pelo seu relato! É muito bom encontrar outras mães que se sentem da mesma forma e não têm vergonha de assumir isso. Beijo!

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