Mudança para o exterior e crianças bilíngues: a nossa experiência

Sempre tive curiosidade pelo assunto crianças bilíngues. Mesmo antes de estar na Inglaterra com o Vítor e a Clara eu pensava muito sobre o assunto e buscava diferentes experiências, para ir me preparando para a mudança e adaptação em um novo país, com uma nova língua.

Então em agosto de 2016 nós chegamos em Londres. O Vítor estava com 5 anos e a Clara quase completando 4. Ambos sem nenhum conhecimento ou vocabulário em inglês.

Antes da viagem cheguei a pensar em matricular os dois em uma escola de idiomas no Brasil. No entanto, conversando com outras mães com crianças bilíngues conclui que não valeria tanto a pena, em uma análise custo x benefício (principalmente naquele momento de economia para a mudança de país).

A chegada na Inglaterra

A primeira providência em Londres foi matricular as crianças no sistema público de educação. Em setembro tem início o ano letivo no Reino Unido e no fim do mês a Clara começou na nursery (espécie de pré-escola) e o Vítor no Year 1 do primário.

O início foi muito difícil, especialmente para o Vítor, que ficava full time na escola (entre 8h45 e 15h30) e estava em fase de alfabetização. Já a Clara teve uma adaptação suave, por ir apenas 3h por dia para nursery, em um viés mais recreativo.

Para o Vítor foram semanas sem entender uma palavra. Um colega que era de Portugal mediou inicialmente a comunicação, mas os dois não tinham tanta afinidade e às vezes o menino mais atrapalhava do que ajudava (inclusive mentindo nas traduções e recados da professora). Uma secretária que falava espanhol também tentou contribuir na fase inicial.

O novo ambiente, a limitação no idioma e a falta de amigos foram fatores que resultaram em meses difíceis de adaptação para o Vítor e para gente, que sofria vendo todas as dificuldades que ele estava enfrentando.

Posso dizer que demorou uns 3 meses para a situação começar a evoluir e o Vítor passar a entender o inglês, pelo menos no contexto básico de conversa. As palavras ainda saiam de forma tímida, mas também foram aparecendo devagar.

A evolução para crianças bilíngues

Com o passar do tempo o vocabulário das crianças em inglês foi aumentando. As palavras soltas foram sendo trocadas por frases simples, mas demonstrando um início de entendimento gramatical e conjugação de verbos.

Depois de uns 6 meses da mudança o inglês começou de fato a fluir e as interações com outras crianças na escola ajudaram bastante com a integração do Vítor e da Clara. Em julho de 2017 eles fecharam o primeiro ano letivo na Inglaterra com êxito, elogiados pelas professoras e com um significativo avanço.

Então chegaram as férias de verão e foram quase 2 meses em casa, só falando português. Durante o período cheguei a pensar que a aprendizagem do inglês seria prejudicada, mas que nada! Ao voltar para a escola em setembro foi como se uma chave se ligasse!

Aliás, durante as férias de verão nos mudamos para Liverpool e isso implicou uma nova escola e adaptação. Só que desta vez está sendo incrível, muito mais simples do que um ano atrás.

Desde o primeiro dia na escola as crianças ficam tranquilas e em pouco mais de um mês de aula tiveram um avanço incrível em diversos aspectos, inclusive no idioma.

Em casa o português prevalece, mas começo a perceber que nas brincadeiras entre o Vítor e a Clara eles já começam a se falar em inglês, o que é uma tendência daqui para a frente.

Crianças bilíngues e outros idiomas

Na escola em Londres o Vítor teve aulas de espanhol e agora, em Liverpool, francês faz parte do currículo de ensino. É incrível como ele se interessa por outras línguas e tem mais facilidade desde que passou a assimilar o inglês. É como se uma porta linguística se abrisse.

Com base na nossa experiências, algumas dicas que tenho para compartilhar sobre crianças bilíngues:

– A TV pode ser uma grande aliada para as crianças acostumarem o ouvido com o novo idioma, seja através do Netflix ou da TV local do país em que você mora.

– Em casa temos o hábito de ler antes de dormir. Aos poucos estamos aumentando a nossa pequena biblioteca de livros infantis, mesclando livros em português e em inglês. No início as crianças tinham uma preferência clara por leituras em português. Agora já aceitam qualquer livro, avaliando mais pela história do que pelo idioma. Então, a minha dica é investir em livros diversos e incentivar o hábito da leitura em família.

– Revistas de atividades também são uma ótima alternativa para reforçar o novo idioma. Em livrarias encontramos várias opções, desde revistas com atividades mais lúdicas quanto com exercícios voltados para alfabetização.

– Não insista no segundo idioma de uma forma exagerada. Em casa falamos português e ponto final. Não tento forçar o inglês na nossa relação porque não é natural e sei que é cansativo para eles.

– Deixe as crianças falarem. Às vezes alguém pergunta algo em inglês para o Vítor e a Clara e percebo minha ânsia em responder por eles. No entanto, procuro deixar eles falarem, mesmo que de forma tímida. Assim, vão se soltando aos poucos.

– Procure aprender junto. Eu e o Fábio falamos inglês, mas com as crianças na escola temos aprendido muita coisa nova, especialmente no quesito vocabulário. Então, tentamos deixar bem claro para os pequenos que não sabemos tudo e que queremos aprender juntos. Pesquisamos na internet, deixamos eles nos corrigirem (já acontece!) e até rirem do nosso sotaque (os dois já estão com sotaque super british e ficam dando risada da gente). Tentamos mergulhar com eles nesse novo universo e isso ajuda bastante.

E você, tem alguma experiência com crianças bilíngues? Se tiver mais dicas para compartilhar eu super agradeço (:

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