Quatro Letras, por Flavia Camargo

Quatro Letras é um livro escrito por uma mãe que viveu o desafio de se despedir do filho logo após seu nascimento. Sentindo a maternidade como uma dádiva, ela optou por identificar quais eram os benefícios que tinha alcançado com essa adversidade, para poder pensar nele sempre com felicidade e gratidão.

Flavia Camargo tem 33 anos e é mãe do Igor, que faleceu com quatro dias de vida. Ela é advogada e autora do livro Quatro Letras, no qual conta como conseguiu reencontrar a felicidade.

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Imagens: Igor Alecsander

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Em 2012 comecei a planejar minha futura gestação e mergulhei nos livros e blogs sobre o assunto, pois queria me tornar uma boa mãe. Logo no início das tentativas, em 2014, engravidei. Tudo transcorria sem problemas. Meus exames estavam ótimos. Mas fui surpreendida na 33ª semana e o que estava perfeito se transformou no extremo oposto.

No dia 7 de janeiro de 2015, preocupada com o fato de o bebê estar quieto, dei entrada no hospital para fazer uma ultrassonografia. Quando passei pela triagem, minha pressão estava 13×8 e quarenta minutos depois pulou para 24×17. Nesse pequeno intervalo, senti uma dor abdominal muito forte e tive uma hemorragia no fígado. O Igor precisou nascer imediatamente – com 7 meses e meio – pesando 1,4 kg e medindo 40 centímetros. Os sintomas foram causados pela Síndrome Hellp – uma doença rara, que se desenvolveu silenciosamente e se agravou muito rápido.

O meu maior desejo era estar perto do meu filho naquela hora em que ele lutava para sobreviver, mas não podia ajuda-lo, pois também precisava lutar pela minha vida. Não cheguei a conhecer o Igor porque ele foi levado para a UTI Neonatal, enquanto eu estava na UTI materna. No quarto dia, chegou a notícia de que o nosso bebê tinha nos deixado.

Durante a licença maternidade não pude amamentar, nem levar o meu bebê para passear. Foi um período em que eu precisei cuidar de mim, cultivando alguns valores que me permitissem passar por essa experiência tão difícil com valentia e desprendimento. Enquanto realizava esse trabalho de me aperfeiçoar, a fim de suportar a falta de um ser tão amado, escrevi um livro, no qual eu narro que passei a ser feliz novamente quando percebi que meu filho me tornou um ser humano mais fortes e possuidor de muitas virtudes, que não tinha desenvolvido antes da sua existência. A morte do Igor me fez descobrir que ser mãe é maravilhoso, independente de quanto tempo essa experiência dure. Ele me fez conhecer um amor incondicional, que não precisa ser retribuído para permanecer pulsando. Perceber que as perdas também provocam ganhos é uma lição que podemos tirar até mesmo das situações mais duras da vida, assim, elas se tornam leves.

A escolha do título do livro foi devido ao fato de todos os capítulos serem palavras de quatro letras, para combinar com o nome do meu filho. Assim, os capítulos do livro são: Igor, Laço, Vida, Amor, Luta, Tudo, Cura, Deus, Riso e Belo.

Meu livro está sendo vendido pela Bookstart, que não é uma editora, mas um site de financiamento coletivo. Por isso, trata-se de um procedimento diferente. Não haverá lançamento com noite de autógrafos. O livro só pode ser comprado pela internet, não irá para as livrarias. A campanha começou algumas semanas atrás e está sendo um sucesso. Nos primeiros dez dias, foi atingida a meta mínima de número de vendas para o livro poder ser publicado. Mas, apesar de já termos alcançado o valor necessário para a publicação, o livro continua sendo vendido por mais algumas semanas.

As pessoas interessadas podem acessar o link www.bookstart.com.br/quatroletras onde estão disponíveis algumas opções de pacote. O prazo para participar da campanha e comprar o livro é entre 13/11/15 e 12/01/16. Depois dessa data, os leitores receberão o livro diretamente em suas casas pelo correio.

Como mensagem final, gostaria de dizer que aprender a amar a si mesmo como se amava o filho que partiu é um caminho viável para quem deseja ser feliz novamente. A alegria que um filho nos proporciona ao nos dar a oportunidade de criar uma nova vida pode ser reencontrada ao nos tornarmos nossos próprios criadores. A morte de um filho nos leva a reformular conceitos, refazer a identidade e, enfim, a nos reinventarmos. O carinho empregado na construção desse nosso novo “eu” tem o potencial de gerar uma felicidade incomparável, quando percebemos que nosso filho nos transformou em uma pessoa melhor.

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