A ameaça do chinelo da Minnie

Recebi um presente em forma de ameaça na última semana: uma Havaianas da Minnei.

Não, não foi um presente para a Clara, foi para o Vítor.

(Pausa para a pergunta: ele ganhou um chinelo de meninA?)

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Incrível como o modelo provocou perguntas e levantou preconceitos em diversos lugares onde ele foi visto com o calçado. Comentários chegaram a insinuar que era “chinelo de gay”. Gente, pode isso? Até que ponto a sociedade dita padrões de comportamento na segmentação menino X menina?

Está em tudo: nas lojas de brinquedos (menino brinca de carrinho e menina lava roupa e faz comidinha), no comércio de roupas e calçados (personagens grosseiros e roupas com desenhos de bolas para os meninos e laços e rendas para meninas), nas escolas e na famílias (com comentários do tipo “menino não chora” e “não corre que isso não é coisa de menina”).

Diante disso eu me pergunto: estamos criando meninos programados para esconder os sentimentos, serem brutos, sem vaidade e intocáveis para as tarefas do lar e os cuidados com os filhos? Ao mesmo tempo, educamos meninas submissas aos homens, sensíveis a ponto de se ocultarem diante da sociedade e sem a capacidade de se impor?

Desculpa, mas aqui em casa não. Meus filhos vão ser sempre estimulados a buscar a própria preferência, transitando pelo dito universo masculino e feminino. Terão liberdade para se expressar e serão amparados em suas escolhas. Como eu já disse em outras oportunidades… defendo uma infância (e uma vida) colorida. E que assim seja!

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa

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13 comments

    • nandaetges

      Concordo que existem N casos assim, mas por isso não vale a reflexão? Desculpa, mas penso que preconceitos carregados assim ainda na infância só reforçam um comportamento social negativo que acaba se repetindo.

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  1. kelly

    Incrivel como isso vem de adultos e não de crianças neh?! Mtos pais e mães criam o filho nessa coisa de menino x menina. Semana retrasada foi o aniversario de 8 anos da minha sobrinha, e na festinha as amiguinhas e ela brincavam no quarto e meu filho q tem 2 anos (o unico menino da familia e da turminha do quarto) estava junto com elas brincando com uma barbie qdo de repente uma das amiguinhas dela gritou dizendo q so menina brinca com boneca e q ele nao podia. Mas minha sobrinha (tão esperta) disse q ele podia sim, q não tinha nada a ver (#oiqcoimarlinda). E ele A-M-A brincar de bonecas, e não acho q isso vai interfirir no crescimento dele, mto menos q ele vai virar gay por isso, mto pelo contrário, ele vai aprender a cuidar d um bebe, e minha nora me agradece rrsrs, por ensinar q nao existe essas de ” menino x menina”. Desculpa pelo “post” hehe, bjao pra todos.
    🙂

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  2. Patrícia

    Eu comprei dia desses um casaco azul e quando falei que era para minha bebezinha a vendedora achou aquilo a coisa mais estranha do mundo. Perguntei a ela qual a lei que determina que gurias têm que usar rosa e guris azul? Ela, claro, ficou com cara de pateta e não respondeu nada. Detesto essas pseudo-regras bestas. Se minha bebezinha quiser brincar de superman, vou achar ótimo, desde que isso a faça feliz.

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    • nandaetges

      Bom, o chinelo minha mãe que deu, pois era o modelo mais bonito no número do Vítor. Já o álbum tbm foi presente, mas de umas amigas que sabem que sou apaixonada pelo Pequeno Príncipe. Elas viram o álbum, lembraram de mim e do Vítor e compraram.

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  3. Oi Amanda! Meus filhos sempre gostaram do Toy Store. Um deles ganhou o Woody e disse: “Agora falta a Jessie”. O dia que surgiu a oportunidade, ganhou a tal boneca. Contou na escola e um dos amiguinhos tirou sarro. Chegou em casa contando: “Mãe o meu amigo não entende que a Jessie faz parte da turma. Qual o problema de eu ter a Jessie?”. É isso aí meu filho, nenhum problema! E essa havaiana é linda. Ah! Li se post no (Ins)Pirações Familiares e adorei a riqueza dos detalhes. Quem não conversa sobre cocô nas horas mais impróprias? Beijo, Gisa Hangai / http://www.maebacana.com.br

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  4. Mariana

    Ananda, acompanho sempre teu blog mas acho que nunca escrevi. Na Veja dessa semana tem uma matéria exatamente sobre esse assunto. Concordo com o ponto de vista da revista, que resumindo diz isso: ao mesmo tempo em que não se deve reprimir qualquer iniciativa da criança de transitar pelo masculino e feminino, até porque isso faz parte das brincadeiras e do imaginário infantil, estimular ou forçar esse comportamento pode gerar confusão e falta de identidade. Acho que ser menino ou menina faz parte da nossa identidade, e isso passa também pelas nossas referências (não estou falando de orientação sexual, mas de identidade de gênero). Ou seja, acho que nem tão lá nem tão cá. Bjo!

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    • nandaetges

      Gostei muito do teu comentário e concordo que forçar esse comportamento pode causar confusão. Vou procurar a reportagem, fiquei interessada! Beijos 🙂

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