A minha não volta ao trabalho

Agora em julho faz 6 meses que pedi demissão do meu trabalho anterior. Foi no fim da licença maternidade, após o nascimento da Clara.

Foi ao mesmo tempo uma decisão muito fácil e muito difícil. Muito fácil, pois era tudo que eu queria (poder dedicar mais tempo aos meus filhos). Muito difícil, pois significaria abrir mão de um bom emprego, com estabilidade financeira e ótimos colegas de trabalho.

Passados 6 meses, posso avaliar de forma positiva a mudança. No período, trabalhei por uns meses em home office, com eventuais atividades externas (quando o Fábio podia ficar com a dupla). Em seguida, as crianças começaram a ficar com uma babá em casa e consegui ter mais flexibilidade para me organizar. Atualmente, vou para a agência que faço freelas três turnos por semana. Também tenho algumas disciplinas do mestrado, mas no resto do tempo sou totalmente das crianças.

Durante o semestre, posso apontar dois grandes desafios. O primeiro foi seguir com a amamentação, especialmente até os 6 meses, de forma exclusiva (saiba mais sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses aqui e aqui). Aprendi a ordenhar, a conhecer meu corpo e as necessidades da minha filha. Tive que pensar alternativas à mamadeira e ajudar as pessoas que ficam com a Clara a dar o leite para a pequena de diferentes formas.

O segundo desafio foi me adaptar e me organizar. Ficar com os filhos exige paciência, dedicação e jogo de cintura. Sim, eles dão trabalho (e como!). Naturalmente, alguns dias são mais tranquilos, outros mais caóticos. Também tem vezes que a gente simplesmente não está afim de contar a mesma história mil vezes, de cantar o repertório inteiro do Cocoricó e outras coisas que fazem parte da vida de mãe.

Mesmo assim, valeu cada segundo. Pra mim, agora, nada é mais importante do que a possibilidade de acompanhá-los na rotina, de estar presente nas refeições, nas sonecas, no banho, nas brincadeiras, na hora de dormir, de ter tempo para brincar e passear.

Meu antigo trabalho, diário, de 6 horas, não permitiria isso. A demissão foi o caminho que encontrei para procurar outros ajustes possíveis para a nossa família (que não são nem tanto ao céu, nem tanto à terra – ou seja, nem apenas em casa, nem trabalho full time).

***

O que eu diria para quem vai voltar ao trabalho após a licença? Dói e é natural doer.

O mais importante é ouvir o coração e fazer os ajustes possíveis para a nossa realidade. O meu coração exigiu que eu flexibilizasse e eu ouvi. Agora, entre o branco e o preto, existem centenas (para não dizer 50) tons de cinza. Assim, encontrei um tom adequado para a nossa vida, para a nossa família (que no momento é priorizar as crianças e equilibrar, de forma paralela, casa, trabalho e estudo).

Além disso, não tenha medo de tentar de novo. Não está feliz com uma decisão? Repense, tente de outro jeito. A fórmula da felicidade não existe em um modelo único e imutável.

No mais, o que vale é aproveitar o tempo com os filhos e, se a opção for trabalhar, independente de onde, quando e número de horas, saber que os pequenos estão bem e com alguém de confiança. Isso, de fato, é fundamental.

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10 comments

  1. Magaly

    Decidi parar de trabalhar quando ainda estava grávida e o maridão sempre me apoiou. Felipe está com 3 meses e meio e fui, na semana passada, conversar com meu chefe. Pra minha surpresa, ele me deu praticamente mais dois meses de licença, disse que é um tempo pra pensar se é isso que quero!rs Coitadinho!
    Eu quero mesmo é ficar em casa, aproveitando todos os momentos do meu filhote, compartilhando com ele cada descoberta, a primeira papinha, os primeiros passos…
    Sei que isso vai me trazer um “atraso” (rs) financeiro, pq só o marido trabalhando, as coisas ficarão mais difíceis. Mas não há dinheiro que pague a alegria que tenho ao receber um belo sorriso banguela durante todo o dia!

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  2. Amiga materna, estou vivendo esse dilema. Semana que vem estou retornando ao trabalho com o coração apertado. Louca de vontade de jogar tudo para o alto. Infelizmente não posso, pois a empresa em que trabalho me proporciona muitos benefícios (inclusive um excelente plano de saúde para meu bebê). Preciso continuar pela saúde financeira da família. Não é uma decisão fácil!!! Te parabenizo pela coragem.

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  3. É Ananda, eu realmente não consigo imaginar a minha vida de outra maneira, sem ser mãe em tempo integral.
    Parabéns pela amamentação da Clara, da atenção e carinho que você dedica aos pequenos. Vale sempre a pena participar mais da vida dos filhos.
    Um beijo
    Marina

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  4. De.

    Olha só como são as coisas. Seis meses atrás quando li aqui que tu estavas largando o emprego, eu pensei “ah, mas ela pode…”, ou “ah, mas com esse frila na agência é fácil”, ou “esse arranjo é impossível pra mim”.
    Apesar de estar muito balançada com a possibilidade da volta ao trabalho, a não-volta era impensável até então.
    E agora estou aqui, dois dias me separam da mãe que quero ser. Essa história de “ah, ela pode” agora eu sei que não é bem assim. A gente na verdade não pode, mas abre mão de algumas coisas, e dá um jeito de “fazer poder”.
    Espero daqui a seis meses ter o mesmo saldo positivo que ti teve.
    Obrigada por ser uma inspiração!
    Beijos

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  5. Tenho a grande sorte de trabalhar com meus pais e marido, nem sempre é fácil, já tive vontade de descobrir "novo horizontes" e ver até onde posso chegar. Não o fiz porque saberia que um dia teria filhos e que iria querer poder eu mesma cuidar, estar integralmente ali para eles… Hoje grávida de 5 meses estou mega contente da minha decisão! Não vejo a hora desse bebezinho nascer logo!

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