Consumo, infância e palhaçada na escola

Na semana passada recebi um bilhete da escola, informando que teria um show da dupla Patati e Patatá no ambiente escolar. Imediatamente pensei: meus filhos não vão.

Minha mente fez a seguinte associação: Patati e Patatá, consumo, venda, crianças. Uma combinação nada interessante, não?

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Fiquei com o show na cabeça e decidi conversar com a diretora da escola, para tentar entender como seria e saber mais detalhes.

Tenho total abertura com a responsável e tivemos uma longa conversa. Expressei minha restrição com a tal apresentação e o receio de ser algo puramente comercial. A diretora, por sua vez, colocou o que a produção falou para ela: seria algo breve e musical. Não foi mencionado nenhum patrocínio de empresa e a venda dos DVDs aconteceria através da direção, diretamente para os pais. O kit não seria exposto de forma alguma para as crianças.

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Depois da conversa, decidi levar o Vítor e a Clara para assistir. O show era no turno oposto ao que eles vão na escola, então pedi para ficar junto.

Confesso que estava curiosa para ver a abordagem. Eu realmente queria acreditar que não teria nenhum apelo comercial. Mas eu estava enganada, tolinha.

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Os palhaços chegaram e pareciam bonecos de posto, pois quase não se mexiam. Cantaram uma música e a palhaçada (perdão pelo trocadilho, é inevitável) começou.

Falaram de uma marca de suco em pó (muito saudável, né?) e fizeram uma encenação com o produto. Deram um encarte de papel com desenhos de pintar e um anúncio enorme da marca para cada criança. Dentro do material tinha uma amostra do suco, para os pequenos levarem para casa.

Como se não bastasse tamanho abuso, o produtor juntou as crianças com os palhaços e fez todos mostrarem os encartes para ele tirar uma foto. Sim! Um registro da associação entre os alunos e a marca de suco.

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Como sou mãe sanguenozóio, nessa hora já estava subindo pelas paredes. De tão perplexa, não sabia nem o que fazer.

Foi então que veio o grand finale. A dupla pegou um kit com seu DVD, CD e dedoches, mostrou para as crianças e falou coisas do gênero “peça para o papai e para a mamãe comprar”, “só 40 reais”.

No mesmo segundo levantei, peguei meus filhos e fui embora, furiosa. Vítor chorando, sem entender nada, me pedia para ver mais. Fiquei me sentindo uma idiota por ter levado os dois naquele circo de horror.

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No dia seguinte falei de novo com a diretora, que também ficou apavorada e me garantiu que nunca mais vai abrir as portas da escola para atividades assim. Menos mal.

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Mas o que mais chama a minha atenção na história toda é como somos ingênuos: a direção, os professores e, principalmente, os pais.

Quantos pais questionaram ou desconfiaram da ação na escola? Quantos pais são contra atividades do gênero? Quantos pais percebem o quão forte e prejudicial é tal apelo para as crianças?

Infelizmente, o número é quase zero.

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Por isso eu aproveito para indicar uma página no Facebook com um conteúdo super interessante e informativo: Movimento Infância Livre de Consumismo.

Leia, pesquise, busque. Não podemos cair na conversa de que as crianças não dão bola ou não entedem.

Acredite, elas entendem. E as marcas sabem direitinho disso, pois se aproveitam sem piedade. Mas e daí, quem vai pagar essa conta?

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O que vocês pensam sobre isso? Já passaram por algo parecido? Comenta aí pra gente continuar a conversa 😉

Comentários Facebook

52 comments

  1. Karina Routman

    Aqui em Rio Preto aconteceu a mesma coisa em algumas escolinhas, era o mesmo preço…….ainda bem q eles ñ foram na da minha filha. Agora estamos avisadas!!!!!!

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  2. Oi Ananda Etges! Em primeiro lugar que ótimo poder fazer uma leitura com tantas análises importantes e que fazem parte do que eu e mais pessoas a muito tempo viemos batalhando. Que bom tua análise crítica em primeiro momento quanto ao show em questão. Poderia enumerar diversos motivos para os pais não exporem seus filhos a esses dois. Para contribuir, quando você usa a palavra "palhaçada" no pejorativo, fica claro o como estes dois personagens estão desvirtuando o real sentido do palhaço. Podes ter certeza de que palhaçada não tem nada a ver com este show de horror que você menciona ter presenciado. Uma verdadeira Palhaçada é algo sublime, encantador, construtivo, educativo, afetuoso. Esses dois personagens de nada tem de palhaços. Vale a pena pesquisar o que é o palhaço em sua essência. E não devo me estender sobre esta liguagem que tanto amo, pois daria um livro hehehe. Por que expor as crianças a tamanha falta de arte? A tanto mal gosto? A tempos venho me perguntando isto, e existe pesquisa e estudos de grandes artistas, atores, palhaços, pedagogos que aquecem a discussão e são contra estes dois personagens e tantos outros espalhados e infiltrados na sociedade proporcionando show de horrores às nossas crianças. Ahhh que sonho se os professores conhecessem um pouco mais sobre arte, BONS artistas, BOAS músicas, BONS palhaços, e não se rendessem a manipulação vinda de tantos outros igualmente desconhecedores. Que ótimo que tu foste lá, não se calou e proporcionou uma discussão tão bacana. Para finalisr, sinto muito que pessoas como estas que se dizem artisas, estão fechando as portas para arte e para o palhaço de verdade, bom. A frase desta professora "Não abro mais as portas para atividades assim" me entritessem. Fecham as portas para BOAS atividades de arte, cutura, educação. No final das contas os bons pagam pelos maus, os pais pagam para as crianças e todo mundo fica no mesmo balaio. Beijos Ananda!

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  3. Eu já ouvi falar de várias abordagens desse tipo em escolas aqui em SP. Curiosamente, 99% da mesma dupla de palhaços. Sabendo como é, nem teria levado Bento à escola no dia. Mas vc confiou na diretora que, por sua vez, confiou no que disseram para ela. Fica o alerta e a lição.

    Mas lembrei tb que sim, já passei por algo parecido, mas não em escola. Outro dia fui à farmácia e Bento estava comigo. Enquanto aguardava o meu pedido, o pequeno se entretia olhando as prateleiras de higiene – obviamente com shampoos, pasta de dente etc infantis estrategicamente expostos na altura dele. Então ele me pediu um shampoo em formato de carro. Mas aí que veio a parte absurda: um atendente da farmácia viu, pegou um kit mais completo (shampoo e condicionador) e, claro, mais caro. E ofereceu PARA ELE. No estilo “pede pra mamãe comprar”. Fiquei furiosa. Falei não, obrigada e saí. O que acho absurdo do absurdo é oferecerem para a criança, que não tem discernimento nenhum nem capacidade de decidir uma compra.

    Resta a nós pais ficarmos alertas a todo tipo de abordagem comercial que chega aos nossos filhos. Seja na escola, na farmácia ou em qualquer lugar.
    bjos

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    • nandaetges
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      Oi Sarah! Verdade… situações assim não estão restritas. Acontecem nos mais variados lugares e às vezes as pessoas nem se são conta. Temos que ficar atentos. Claro que não dá para colocar os filhos numa bolha, mas vale tentar evitar e, quando acontecer, explicar e conversar muito. Beijos!

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  4. Oi Geison! Que bom que tu veio enriquecer a discussão 🙂 Realmente, o termo palhaçada pode ser usado em mais de um sentido e um deles, o que eu empreguei, é pejorativo. Concordo que esses personagens desviam o verdadeiro sentido do palhaço e também da magia do circo. Sobre a questão da escola fechar as portas, é no sentido de fechar as portas para atividades apelativas pelo viés comercial, como a citada. Jamais fechar as portas para propostas educativas e culturais. Nesse sentido, inclusive, a conversa com a direção foi de procurar parcerias com artistas locais ou aproveitar outras oportunidades artísticas, como eventos promovidos pelo SESC, por exemplo. Beijão 🙂

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  5. bem isso aí Geison Aquino, me entristesse esse tipo de situação. ler isso logo hoje que estamos sendo homenagenados pelo trabalho sério de palhaço junto ao Hospital São Sebastião Mártir, tanto pelo hospital como pela liga feminina de combate ao câncer. Bom devemos realmente compreender o que realmente é palhaçada, a verdadeira palhaçada é reconhecida no sorriso de um paciente, na emoção de alguém que vê seu familiar recuperar o sentido da vida quando entramos e saimos de um quarto. A linguagem de palhaço é muito séria, crítica e verdadeira, não devemos deixar esse tipo de "palhaçada" sufocar o real e o verdadeiro!

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  6. Dani Bruxel

    Concordo em gênero , número e grau com a tua posição. Só que duvido que o pessoal da escola não sabia que tipo de apresentação seria…esse tipo de coisa anda por aí não é de hoje. Na escola do Fernando não teve , ainda bem…mas nossas crianças estão mesmo cercadas por vários tipos de propagandas que pregam o consumo…e como evitar delas querem se os outros podem ter?? Isso depende da nossa educação, da que recebemos e da que vamos dar…mas não é fácil! bjão

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    • nandaetges
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      Oi Dani! Sem dúvidas, todas essas questões passam pela nossa educação! O negócio é conversar muito e estar sempre atenta, para orientar da melhor forma possível. Beijos!

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  7. Aline Lima

    tb ficaria muito irritada com isso ananda….. eu fui a casa de uma priminha dos meus filhos, e a criança estava com um desses bonecos , meu esposo comentou algo do tipo, nossa vc gosta mesmo desses palhaços né. A mae disse, que na escola eles deixaram cada dia uma criança levar para casa esses palhaços, tipo uma escAla mesmo, para eles cuidarem deles, depois de algum tempo esses palhaços iriam na escola, fazer o show deles,…. o resto da para imaginar né. crianças enlouquecidas querendo um boneco deles…. fiquei de queixo caido quando escutei isso, e essa priminha do meu filho , logico que a mae comprou para ela esses bonecos! escola e lugar de brincar, de correr, pular cair , levantar e nao lugar de ensinar a criança a ser consumista, os valores estao se perdendo infelismente!!!! mais sabe o por que ainda se e permitido isso, por que muitas maes que compram essa ideia…..

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  8. Ananda, descobri hoje teu blog, muito legal, parabéns. Eu não sou mãe, sou só pediatra, mas por isso me interessam muito as questões ligadas ao desenvolvimento dos pequenos. Acho que tu tens toda razão de ficar indignada, achei uma vergonha o “espetáculo” e, como a Dani aí em cima disse, eu não acredito que a escola não soubesse dos fins lucrativos da atividade. Eu estou começando o meu blog e teu post me motivou a escrever sobre como escolher a escola das crianças. Disponibilizei um checklist, endossado pela Academia Americana de Pediatria, de perguntas a fazer nessa hora. Pena que, mesmo sendo americano, não tem nenhuma pergunta sobre políticas de consumismo.

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    • nandaetges
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      Oi Renata! Obrigada pela visita, espero que volte mais vezes. Dei um pulinho no teu blog e também gostei muito, bem informativo. Vou ficar de olho para compartilhar conteúdo na página do blog no Face. Ótimo o check list! Beijos!

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  9. Denise Ferreira

    Eu acho tão mas tão baixo isso de usarem as escolas como veiculo de propaganda. Tão feio. Na ex-escola do Ben um dia cheguei lá e estava o Ronald Mc Donald fazendo teatrinho pra incentivar atividade física pras crianças acima de 2 anos! Me admira a escola aceitar uma coisa dessas. As crianças desde cedo relacionando aquela imagem a algo positivo! Eu lembro até hoje de algumas coisas que foram na minha escola, mas naquele tempo eram teatro sobre legumes, ou um escritor de obras infantis… Essas coisas. Imagina a imagem que essas crianças vão carregar pra vida toda de coisas como Mc Donald, patati patata é esse suco em pó!

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  10. Tudo de bom o Ronald Mc Donald, né? Eu iria surtar hehe! É isso que penso de ações do gênero na escola: elas legitimam a associação entre as crianças e o consumo. A criança pensa: "Mas se o tio falou isso NA ESCOLA, é porque é verdade". Beijão!

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  11. A escola é um local de reforço de valores muito forte. Então, precisamos ter cuidado com o que acontece lá dentro. A publicidade está em todos os lugares? Sim, eu sei. Mas a escola é um ambiente de legitimação, então penso que não pode, de jeito nenhum, ter tal associação e apelo comercial. Beijos!

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  12. A escola é um local de reforço de valores muito forte. Então, precisamos ter cuidado com o que acontece lá dentro. A publicidade está em todos os lugares? Sim, eu sei. Mas a escola é um ambiente de legitimação, então penso que não pode, de jeito nenhum, ter tal associação e apelo comercial. Beijos!

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  13. Oi, Ananda! Ingenuidade mesmo. Vc sabe que comecei a ler o post achando que era um exagero seu não deixar as crianças irem e terminei o post revoltada comigo por pensar em quantas vezes eu não parei pra ver melhor esses eventos. Serviu pra abrir o olho! Obrigada!

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  14. Graciela Fernandez

    Participo em Florianopolis do Conselho de Alimentação da PREFEITURA, estamos conversando muito sobre como melhorar a merenda e almoço, e fico bem contente com todas estas reflexões, estamos junto com o Departamento de Nutrição quebrando a cabeça para levar estas ideias de alimentação saudável para os alunos e seus pais, eu vou passar o endereço de esta pagina para entender o porque dos pais , especialmente quando muito jovens, para não questionar todo este lixo que estão enfiando goela abaixo desde os meios de comunicação. Parabenizo a página e todos que comentam esta situação.

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  15. Penso muito nessa relação industria X criança, e como é quase impossível impedir o acesso das crianças a essas coisas, o melhor mesmo é saber conversar com as crianças e fazerem entender a situação. Mas isso é muito difícil, como explicar "vc pode gostar do palhaço mas não pode ter as bugigangas q ele vende, entre outras questões".

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  16. Não gosto deste tipo de coisa em escola, mas por outro lado, proibir não é a questão. Cresci com alguns sins e alguns nãos da minha mãe. Acho que o caminho é este. Lvrar a criança da chance de ouvir um não, não é a melhor forma.

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  17. Nathália Araújo Aguerrondo

    Fico triste com essa situação, principalmente porque falo do lugar de palhaça artista de rua e educadora (pedagoga). Acontecimentos como estes podem fechar as portas da escola para pessoas que acreditam na arte/educação. A escola deve ficar atenta as propostas de trabalhos não escolares para não caírem num show de horror, no entanto é importante a articulação entre educação não escolar e educação escolar…

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  18. Olá.
    Fiquei muito feliz com o seu relato. Precisamos de mais questionamentos e ações enérgicas para o que é oferecido para nossos filhos. Não dá para aceitar qualquer coisa para as crianças que são seres puros e de extrema inteligencia.
    Estava escrevendo outra mensagem que já estava no final e acabei perdendo a mensagem, mas vou persistir na escrita, pois o assunto que vc nos trouxe é muito importante…
    … Meus filhos estudam em uma creche da prefeitura e outro dia fui conversar com a diretora recém chegada para saber o que ela pensava sobre a educação e chegamos no tema cultura, e comentei sobre o meu trabalho que é levar atividades culturais para crianças e ela me disse que isso é importante sim, mas tbem é necessário levar as referencias do que esta na grande mídia (as palavras dela: levar o que é ruim) pois é o que a criança tem familiaridade (então não devemos ser a mudança que queremos ver?) discordei na hora pois eu sei que quando é apresentado para uma criança algo bom, ela percebe e se envolve.

    O que devemos fazer quando ocorrer uma situação semelhante: Levar esse relato e mostrar, colocar para as pessoas que estão participando e assistindo a apresentação e dar alguma bolas de malabares para ver se eles são realmente palhaços artistas ou só enganadores da grande mídia.

    O que queremos para os nossos filhos, para o mundo?

    Esse é um assunto que vai muito mais além… Educação, Saude, Consumo, Cultura, Diversão, Convivio de QUALIDADE..

    Obrigada pelo seu relato.
    E fico a disposição para mais contatos, meu projeto é o Festa de Rei – Brincadeiras Culturais, vamos unir esforços em prol das crianças! http://www.facebook.com/festaderei

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    • nandaetges
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      Oi Beatriz! Concordo muito contigo e acho muito interessante as questões que tu coloca! De fato é um assunto que passa por diversos aspectos.

      Beijos e obrigada pelo comentário!

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  19. Que legal Graciela!!!!! Acho maravilhoso que os pais se apoderem desse processo!!!! Eu trabalho com isso!! Com Educação Alimentar e Nutricional e meu foco é justamente criar grupos de interesse empoderados e conscientes sobre alimentação!!! 🙂

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  20. Gabriela Bentivoglio

    Quando eu era pequena, os dois palhaços visitaram a minha escola. Logo no final da apresentação, entregaram para todas as crianças um kit de CD e DVD (mega coloridos e gigantes como todos os produtos infantis). A coordenadora da escola nos avisou que deveríamos levar o kit para casa e pedir dinheiro aos nossos pais para pagar o produto no dia seguinte. Como toda criança influenciada pelo marketing invasivo, cheguei em casa e pedi o kit para minha mãe. Como estávamos construindo nossa casa, não tínhamos dinheiro para supérfluos e ela me disse o seguinte: " Com esse dinheiro, você pode comprar coisas muito mais úteis e legais do que esse CD." No dia seguinte, minha professora perguntou para a classe quem tinha levado o dinheiro para o CD. Eu disse que não iria comprar e ela me perguntou porque. Enchi a boca e repeti exatamente o que minha mãe me explicara, na frente da professora e da coordenadora, que ficaram muito sem-graça.

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  21. Oi Dayane! Eu acredito que ações comerciais dentro de escolas não deveriam ser permitidas. Manifestações culturais ou atividades lúdicas são diferentes e essas sim devem ser incentivadas. Claro que de forma paralela deve existir o diálogo direto entre pais e filhos. Beijos!

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  22. Nathália Araújo Aguerrondo, concordo que a escola deve ficar atenta no momento em que recebe uma proposta de atividade. Assim como pode ser uma cilada como a relatada, pode ser um espetáculo maravilhoso, de incentivo cultural, né? Beijos!

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  23. Nossa, Ananda Etges, estou em choque até agora! Impressionante pensar que coisas assim ainda acontecem! E dentro da ESCOLA dos nossos filhos! Se eu fosse a responsável por uma marca, teria grande vergonha de propor uma ação como essa. Pelo jeito apenas quando nós, pais, formarmos uma massa crítica que não admita mais atividades similares, essas coisas deixarão de acontecer. Parabéns pelo texto e pelo alerta. Bjs

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  24. querida mãe…me solidarizo com sua angústia. Minha preocupação com palhaçada na escola foi bem recente. Soube que o palhaço multinacional da Macdonald estava indo às escolas para falar sobre corpo humano e meio ambiente. Choquei na hora e eu e meu marido entramos em consenso de q se essa aç~so fosse realizada, não deixariamos nosso filho participar.

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  25. Ao ler a tua maravilhosa crítica quanto ao show que foi apresentado na escola de teu filho, da qual faço parte desde sempre, senti-me na obrigação de contribuir com meu ponto de vista em relação ao assunto que abordas, tendo como essência, o consumo.
    Em um primeiro momento, como acadêmica do curso de psicologia, penso que a principal porta de entrada da publicidade infantil, encontra-se nas famílias, por meio da televisão. Estar atento ao tempo que os pequenos estão gastando em frente à tela é fundamental, pois as crianças, com base em estudos feitos no Brasil, assistem, em média, até 5 horas de TV por dia, limitar o número de horas não só pela publicidade, mas até para não ter hábitos tão sedentários, é essencial para a saúde física e psíquica deste ser tão pequeno.
    Dentro de uma realidade onde ter é igual a ser feliz, penso que os pais devam tomar cuidado com o duplo comando: ter um discurso diferente da prática. Fazer um combinado com o filho na hora de ir às compras e sair das lojas cheio de sacolas. As ações, nesse caso, devem ser coerentes. Atividades conjuntas são uma boa alternativa à televisão e a idas ao shopping (quem tem acesso) ou a lojas. Jogos de tabuleiros, brincadeiras de rua, passeios a parques, bibliotecas e teatros, ler juntos, além de manter seus filhos longe da influência dos comerciais, são atividades importantes para o desenvolvimento da criança.
    Penso que se faz importante, explicar a seu filho que a publicidade tem como objetivo fazer com que ele compre produtos nem sempre necessários. E que para isso, muitas vezes, tentam criar hábitos e valores que não são saudáveis para uma criança. Sendo assim, o diálogo com as crianças é de extrema importância para o seu crescimento subjetivo.
    Por estarmos sempre voltadas ao bem estar da criança, podemos propor uma educação com relação ao consumo, tanto para capacitar o corpo docente, como para auxiliar os pais, no manejo relacionado a essa problemática. Dessa forma, pensando em um trabalho duplo (família e escola), seja possível abordarmos o assunto em sala de aula.
    Discutir e pensar sobre como a publicidade aparece nas novelas e cria modismos, os aspectos da propaganda, como a mídia funciona, o que as indústrias pretendem quando lançam um produto e escolhem um ator para representá-lo e porque as pessoas tem a necessidade do produto. Abordarmos como essas questões estão impostas e instituídas em nossa sociedade seria interessante, só assim será possível ressignificarmos tais questões que muitas vezes estão arraigadas a aspectos e crenças não trabalhadas anteriormente.
    Uma família é incapaz de combater essa indústria que gasta anualmente bilhões de dólares para manipular seus filhos. Fato. A soma delas, no entanto, pode lutar por uma abordagem mais ética desse sistema que induz indivíduos desprovidos de senso crítico a comprar compulsivamente. Além disso, é possível adotar dentro de casa e na escola, atitudes para proteger as crianças dos males causados pelo bombardeio publicitário. Impor limites, dialogar e refletir sobre a própria postura como consumidor são algumas das possibilidades.
    Com base no que acredito, toda a sociedade pode contribuir de alguma forma, mas pais e educadores são os principais atores dessa causa por estarem envolvidos diretamente com as principais vítimas dos abusos da publicidade.
    Bem, vou ficando por aqui, também me coloco à disposição para trocar idéias. A intenção de problematizar e informar é extremamente importante para nosso crescimento pessoal. Um forte abraço Ananda, de quem adora ler tuas críticas e desabafos.

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  26. Pingback: Mais sobre consumo e infância | projeto de mãe

  27. O absurdo é essa tática de mandar os DVDs na bolsa, isso aconteceu há uns cinco anos aqui em casa, uma prima estava passando uma temporada aqui em casa com o filho dela – na época com menos de 4 anos – pra me ajudar, logo que tive neném. Eis que surge esse DVD na mochila dele, ficamos chocadas, perplexas, sem reação. A criança acha que o "presentinho" ela ganhou. Aí vem um recadinho: favor mandar R$20, ou devolver no dia seguinte. Fomos absolutamente contra, mas meu pai acabou convencendo minha prima, mandou o dinheiro pra escola e PIOR, quando ela foi embora deixou o tal DVD de herança pro meu pequeno. Pense numa praga!! Escondi logo que pude.

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  28. Ananda, excelente reflexão.
    Mas, desconfie da escola… em geral elas ganham um percentual por cada kit vendido.
    Sei disso porque minha irma tem escola e já recebeu propostas bem indecentes… ela nunca topou esse tipo de coisa la, mas as escolas vizinhas sim.
    E, infelizmente, tem pais que acham ótimo isso na escola assim não precisam se preocupar em atividades com os filhos nos finais de semana ou whatever…
    beijos
    Lele

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    • nandaetges
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      Oi Lele! Realmente, tem pais que aplaudem coisas assim, sem nem imaginar tudo que está por trás, ou sem dar importância. Beijos!

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  29. Pingback: Junk da Livraria #EraSóOqueFaltava | PropagaNUT

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