A história do chapéu do Vítor: sobre infância e liberdade

Era uma vez um menino muito ativo e curioso. Um dia, ele descobriu na casa da vovó um chapéu diferente, que chamou a sua atenção.

Era um chapéu branco de crochet, com detalhes em madeira, bem artesanal. Logo, o pequeno tomou posse do chapéu. A vó avisou: “Pode levar, mas tem que trazer de volta”.

No entanto, o chapéu se tornou um grande companheiro. Nele, o menino imaginava um verdadeiro chapéu de cowboy, como do Woody, seu personagem favorito e que dominava todas as histórias da sua imaginação.

Assim, o chapéu passou a acompanhá-lo para todo lado. Onde ia, levava o chapéu. Não importava local, temperatura, roupa que estava usando. O chapéu era acessório obrigatório e inseparável.

No início, a mãe do menino hesitou. Não por ser “chapéu de menina”, como ouviu, mas por achar estranho. Para mãe, o chapéu era feio e não combinava com as roupas do menino. Para o pequeno, o chapéu era o mais lindo do mundo.

A mãe, então, sugeria que o menino deixasse o chapéu em casa. Nas saídas, dizia: “Quem sabe agora a gente deixa o chapéu no carro” ou “Vamos tirar o chapéu pra foto?”. Ela se preocupava com o que os outros iriam achar, com o que iria parecer, com a aparência. O menino, no entanto, não estava nem aí. Feliz, seguia com o seu acessório preferido.

Até que um dia, o pai do menino falou: “Deixa ele. Está feliz, é o que importa”. Naquele instante, a mãe se deu conta de como era tola. Ela estava tão preocupada com o que os outros iriam pensar do chapéu ou como ele ficava com determinada roupa que esqueceu de reparar no mais importante: o sorriso do filho. O sorriso gigante estampado no seu rosto. Puro, verdadeiro.

A mãe chegou a ficar com vergonha do tempo perdido com tamanha bobagem. E, mais do que isso, aprendeu uma grande lição do seu pequeno de 3 anos: a liberdade é o maior presente da infância. Liberdade para agir, pensar, se comportar. Liberdade para ser quem quiser. Quem a imaginação permitir.

(E a vó nunca mais teve seu chapéu de volta).

***

Seja livre, meu filho. E perdoe a sua mãe. Ela ainda tem muito que aprender com você e a sua irmã.

Voa, meu pequeno. Voa.

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8 comments

  1. É bem isso! Esse exercício de aceitação continua por tooooda vida. É extremamente difícil, dolorido. Quando esse chapéu toma outras formas e outros significados e temos que aceitar, às vezes até apoiar. Por mais que divirjam de nossa opinião. Acho que chama respeito.

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