Sobre corações quebrados (e como restaurá-los)

A crônica abaixo vi no Facebook, através de compartilhamentos de amigos. Fiquei profundamente emocionada com tais palavras: de amor e ternura. Ao ler, uma lágrima escorreu, pensando no quanto quebramos e temos que juntar os cacos. Quando isso acontece com os nossos filhos então… sofremos junto. É como se quebrássemos também.

O texto é de Lana Nóbrega Meyer e com a sua autorização reproduzo aqui no blog.

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Hoje, dia 06 de abril de 2015, faz exatamente um ano do dia em que eu e a Luna recebemos nosso telefonema-parto: há um ano atrás uma assistente social nos anunciava a existência de nossos filhos.

A energia deles, o reconhecimento de que eles eram nossos foi imediato: um arrepio único percorreu o meu corpo inteiro ao ouvir a assistente social falar deles no telefone.

Uma menina e um menino. 8 e 5 anos. Yasmin e Thiago. E o tempo parou, como se uma bolsa de água estourasse e de repente entrássemos às pressas para o acontecimento que nos transformaria para sempre.

Nunca mais fomos as mesmas desde aquele telefonema. O nosso mundo rodopiou – simbólica e literalmente – e nascemos juntos todos uma vez mais. E agora juntos para sempre.

Quando mães e/ou pais trazem o(a) filho(a) novo(a) para casa tudo tem que ser reaprendido. A vida nova é nova para todos e o crescimento é em conjunto.

Quando estamos falando em adoção tardia, isso é ainda mais verdadeiro. Uma vez que houve a vida do “antes”. Houve o que foi experienciado por nossos filhos – vivências essas muitas vezes de dor e de abandono.

Numa das visitas iniciais à uma psicóloga infantil, há quase um ano atrás, veio um diagnóstico a respeito da nossa linda filha: ela precisava aprender que as coisas podiam ser restauradas. Sua vidinha até ali havia sido de tantas quebras que ela não acreditava que as coisas podiam ser consertadas.

Então é de se imaginar a emoção destas mamães quando, agora, um ano depois se sucede o seguinte fato: eu ontem quebrei minha caneca favorita. Era uma caneca boba e bonitinha, mas tinha o formato e o tamanho ideal para café. Não era muito grande, nem muito pequena. Não era muito larga, nem muito estreita. Mas eu quebrei sem querer em um momento de chateação. Estava com sabão na mão e não medi a força, escorregou e quebrou.

Hoje meus dois pequenos chegam dizendo que têm uma surpresa para mim. Que a surpresa era só para mim. Eu ainda brinquei, dizendo que a mãe Luna iria ficar com ciúmes, mas minha filha disse: “não, mãe, ela vai entender, você vai ver!”.

A surpresa era a minha caneca, que foi resgatada do lixo de ontem, que eles colaram com cola branca e fita crepe para eu poder tomar meu café.

E o meu filho com aquela carinha sapeca, saltitando de feliz, as mãozinhas para trás e os pés dançandinho.
E a minha filha com aqueles olhos grandes e amplos, de tanta doçura e cuidado, de band-aid no dedinho porque se cortou na operação, me mostrando que não só (re)aprendeu, como agora está ensinando: as coisas podem sim ser restauradas.

A xícara não leva mais café, mas leva tanto amor, meu deus, que eu só posso é chorar de alegria as minhas bênçãos e a lição da minha pequena: “Para você não ficar triste, mãe”.

E a tristeza que na realidade tinha outro endereço, se perdeu no caminho com esta lembrança feliz: quando há amor e quando este amor vira ação, as coisas podem sim ser restauradas.

Obrigada, minha flor de jasmin, minha princesa, por me fazer a mãe mais feliz e orgulhosa deste mundo!

xicara

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