Escola em Londres: a adaptação do Vítor no year 1

No fim de setembro o Vítor começou a frequentar a escola em Londres. Aqui o ano letivo tem início no comecinho de setembro, mas tivemos que esperar algumas semanas até o council (espécie de prefeitura do bairro) nos indicar em qual escola ele teria vaga.

Ele entrou com 5 anos e, portanto, foi para o year 1. Antes do year 1 as crianças aqui fazem a Reception (não é obrigatório), espécie de preparação para os primeiros anos. Na Reception elas começam uma base de escrita, que fez muita falta para o Vítor no começo do year 1.

No Brasil, a escola que ele frequentava ainda era bem voltada para o lúdico e o brincar, o que eu, particularmente, achava ótimo. No entanto, ele entrou na escola em Londres zerado, o máximo que sabia era escrever o próprio nome, enquanto os colegas já estavam bem no alfabeto e ensaiavam as primeiras palavras.

Então, some isso ao fato do Vítor saber apenas palavras soltas em inglês e imagine como foi o início dele na escola. Tenso!

Ele sofreu, a gente sofreu, enfim, foi bem difícil. Por mais que me falassem que criança aprende rápido, que logo ele estaria adaptado, eu me sentia muito amarrada. Via a dificuldade que estava sendo e não podia fazer nada para ajudar, além de incentivar e participar da maneira possível, com as lições de casa, leituras e diferentes atividades para reforço.

O Vítor dizia: “Mas mãe, eu não entendo nada do que eles falam” e meu coração ficava apertado que só vendo!

Na escola não tem nenhuma professora que fala português, apenas um colega da mesma turma que ajudou um pouco nos primeiros dias. Mas, depois, pelo que o Vítor conta, eles não se deram muito bem e já não fez diferença.

BULLYING

No período de adaptação ainda tivemos que enfrentar uma situação de bullying. Um colega pegou no pé do Vítor e começou a bater nele. Isso no primeiro mês de escola. Em uma semana, o menino bateu TODOS OS DIAS no meu filho. E o Vítor não conseguia nem se defender nem contar para a professora o que estava acontecendo. Ele se abriu comigo ainda no primeiro dia e não queria mais ir para escola. Eu logo fui conversar com a professora, mas ela só me dizia “vou ficar de olho, vou ficar de olho” e a situação se repetia.

Um dia, com o Vítor relatando mais uma agressão no fim da aula, eu não aguentei e chorei conversando com a professora. Já estava tudo tão difícil, não era possível a escola não agir de forma mais efetiva para parar com aquilo.

Não sei se foi essa última conversa ou o fato de nos dias seguinte as crianças terem uma semana de férias. Só sei que depois das férias o colega não bateu mais no Vítor e desde então ele não relata mais nada semelhante.

Nunca imaginei passar por algo assim e confesso que ainda hoje dói falar no assunto. Por impotência, por culpa de colocar meu filho em uma situação assim, por não conseguir defendê-lo. Mas enfim, passou e fica como uma vivência.

ADAPTAÇÃO 3 MESES DEPOIS

Hoje olhando para o tempo que o Vítor está na escola em Londres, um pouco mais de 3 meses, fico feliz por ver o quanto ele evoluiu e cresceu! Agora já está mais confiante no inglês, ensaiando as primeiras frases, entendendo os colegas e as professoras. Seu vocabulário em inglês cresce a cada dia e é muito interessante ver como ele relaciona as palavras e suas traduções.

No momento, ele está descobrindo os sons das letras para começar a treinar a leitura. Na matemática, já faz as primeiras operações, como soma e subtração.

O Vítor também tem aula de espanhol, que adora, principalmente por ter semelhanças com o português. Esta semana vai começar uma atividade extra que podíamos escolher entre uma lista com dança, esportes, culinária, jardinagem, etc. A dele será uma aula de natureza, onde as crianças vão até uma pequena “floresta” perto da escola para identificar folhas, sementes e conhecer mais sobre fauna e flora. A mãe de humanas pira haha.

O horário da escola é das 8h45 às 15h30. Ele almoça no refeitório e acompanhamos o cardápio por uma tabela com as opções. Acho bem interessante o fato de ter diariamente uma opção vegetariana diferente. Entre as refeições, muita variedade, desde arroz, saladas, macarrão, almôndegas até peixe com batata frita (tradicional prato inglês) e pizza.

Para setembro deste ano, quando começa o novo ano letivo, já fiz a inscrição da Clara para a Reception na mesma escola do Vítor. Ela fica a 20 minutos a pé e menos de 10 minutos de ônibus aqui de casa. Em abril devemos receber a resposta se ela conseguiu vaga no mesmo lugar. Acredito que para a pequena toda a adaptação na “escola grande” será mais fácil, agora que a língua já não é mais uma barreira tão grande. Tomara!

Veja também: Como funciona a nursery em Londres: a adaptação da Clara

Tem alguma dúvida a mais sobre a escola em Londres? Ou uma experiência para compartilhar? Conta pra mim aqui nos comentários!

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7 comments

  1. Lorena

    Imagino que deve se realmente difícil para as crianças no incio, mas eles são espertos e logo tiram de letra!
    Esse aprendizado cultural vão levar por toda a vida!
    Faça mais posts Ananda, adoro todos! lma_07

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  2. Paula Tanscheit

    Essa do bullying doeu em mim quando tu me contou. Ainda bem que passou e não causou tantos danos. Mas que ódio dessa criança do mal.
    Eu morro cada vez que vejo o Vítor com qualquer peça da roupa da escola, imagina ver a escola inteira! haha. E faz o Vítor fazer umas aulas de culinária pra não ficar tão ruim na cozinha como a dinda dele. >D Nos áudios eu só escuto o “buenos días, buenos días”, minha mãe se mata rindo.

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  3. Tatiane Loureiro

    Oi Ananda, comecei a ler seu blog esta semana e estou adorando!!! Estou me mudando para a Inglaterra em janeiro com minha filha de 7 anos, meu marido já mora aí há dois anos. Estou cheia de medos com a adaptação dela na escola. Aqui ela está terminando o primeiro ano, lê e escreve muito bem e também já sabe somar e subtrair, ela gosta muito de estudar, tenho receio de que com a barreira da língua ela se desencante um pouco. Todas as vezes que conversamos sobre a nossa mudança, ela fala da barreira da língua e que não vai entender nada do que a professora falar. Uma grande dúvida que tenho é quanto ao período, como vamos chegar em janeiro, eles estarão no “meio” do ano letivo, acha que isso pode ser ainda pior para ela?

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    • Ananda Etges
      Author

      Oi Tatiane!

      Poxa, que bacana! Ela é um pouco mais velha que o Vítor. Ele começou antes da alfabetização, então nossa experiência foi um pouco diferente. De qualquer forma, os primeiros meses com certeza serão mais complicados e ela pode ficar um pouco frustrada sim pela barreira do idioma. Aqui os primeiros 3 meses foram bem tensos, mas hoje o Vítor está bem feliz e adaptado, com muito progresso na aprendizagem. Acredito que o fato de começar em janeiro não vai prejudicar tanto. Será difícil de qualquer forma pelo inglês, então penso que esse ponto em si não vai fazer diferença. Uma coisa que ajuda bastante, especialmente na socialização, é se na escola tiver alguma criança de idade próxima que fale português, mesmo que de Portugal. Pergunte para a professora, pois a escola pode ajudar na aproximação.

      Boa sorte com a mudança! Beijos!

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      • Tatiane Loureiro

        Obrigada por responder!!! Meu marido que está vendo a escola, como ele já está em Bristol, vou falar com ele dessa dica de ter alguma criança em idade próxima que fale Português, certamente será bom para ela. Beijos e muito obrigada! Já estamos em contagem regressiva e um aperto danado rs…

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