Sobre autonomia e infância: quando os resultados começam a aparecer

Sempre quis que o Vítor e a Clara tivessem autonomia, desde pequenos. Isso vem da minha vontade de incentivá-los a descobrir o mundo, mesmo que um pouco mais longe do que debaixo da minha saia.

Quero que os dois tenham opinião, vontade própria, que aprendam a defender as suas ideias e ações. Quero também que saibam que isso tem o ônus e o bônus. Carregar a responsabilidade pelo que fazemos é algo que aprendi com meus pais e procuro transmitir para meus filhos.

Eu fui do interior para Porto Alegre com 16 anos. Hoje, olho meus irmãos adolescentes e vejo que loucura é imaginá-los morando sozinhos em uma cidade “grande”. Depois, fiz intercâmbio para Londres com 21 anos. Na viagem, conheci o Fábio. Começamos a namorar depois de um mês e em seguida engravidei (já contei a nossa história no blog AQUI).

Foram escolhas minhas, pelas quais paguei um preço. E os meus pais diante disso? Sempre ao meu lado, aceitando (mesmo que com um pouquinho de dificuldade hahaha), aconselhando e dando espaço para que eu pudesse viver meu próprio caminho.

Busco ser assim com o Vítor e a Clara. Crio com muito apego e chamego, mas gosto de ouvir o que eles têm pra me dizer. Valorizo seus desejos, incentivo a tomada de decisões, mostro opções. Respeito os dois como indivíduos, não como pequenos subordinados que devem me obedecer e fazer o que eu desejo.

Autonomia é justamente a capacidade da criança de tomar uma decisão própria baseada nas informações disponíveis. Baseada em vivências anteriores, na sua experiência e observação. Algo que prezo e procuro evidenciar sempre na nossa rotina.

Isso não quer dizer que os dois fazem o que querem e como querem. Eu continuo sendo a mãe e a palavra final é minha. Tem coisas ou situações que não são negociáveis. Em momentos assim, procuro passar a mensagem com firmeza, mas também empatia.

E olha… dá um trabalho gigantesco isso de ensinar, repetir, explicar, conversar. Não é fácil no dia a dia. Tem vezes que estou sem paciência, cansada, que já fiz o mesmo discurso mil vezes.

Em momentos assim, procuro me apegar ao que já construímos, no quanto já evoluímos. Aqui entra a parte boa de ser mãe de dois. Em cada fase difícil da Clara penso: “O Vítor era igualzinho, mas já passou”!

Tem vezes também que as próprias crianças mostram que estamos no caminho, que vale a pena. Dias atrás, estávamos nos arrumando para sair de manhã cedo e me deparo com a cena abaixo. A Clara pediu para o Vítor ajudar a colocar o sapato. Sapato que ela escolheu e pegou no armário. Subiu no sofá, sentou e chamou o irmão para ajudar. Eles demoraram uns 5 minutos, mas conseguiram. Quando acabaram, a mana disse: “Bigadu Vítor”.

Depois, descemos os três para o carro. Coloquei a Clara na cadeirinha. Enquanto isso, o Vítor abriu a porta, colocou a mochila para dentro e sentou na sua cadeirinha. Tudo isso sozinho.

Cataploft. Uma mãe caiu pra trás de tanto amor e orgulho.

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2 comments

  1. Oi Ananda,
    Somos tão diferentes. Você é do Sul e eu do Centro-oeste. Temos trajetórias bem diferentes também. Provavelmente nunca nos encontraríamos nesse mundão sem porteira, mas a internet deu um jeitinho nisso. E eu me identifico tanto com você….
    Bjo e abraço demorado,
    Jaqueline Lima

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